Netanyahu: Israel não deixará Gaza até Hamas totalmente desarmado
Netanyahu: Israel não deixará Gaza até Hamas desarmado

O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, declarou neste sábado que as forças israelenses não se retirarão da Faixa de Gaza até que o grupo Hamas esteja completamente desarmado. A afirmação foi feita durante uma coletiva de imprensa em Tel Aviv e representa uma clara contraposição ao acordo de cessar-fogo recentemente anunciado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, evidenciando um crescente atrito entre os dois aliados.

Declaração de Netanyahu e reação imediata

Netanyahu enfatizou que a desmilitarização do Hamas é uma condição inegociável para qualquer acordo de paz duradouro. "Não haverá paz nem segurança para os nossos cidadãos enquanto o Hamas mantiver capacidade de lançar ataques. Por isso, nossas tropas permanecerão em Gaza até que o desarmamento total seja uma realidade", afirmou o premier, em tom firme.

A declaração foi recebida com surpresa nos círculos diplomáticos, pois ocorre apenas uma semana após o anúncio de um acordo intermediado por Trump, que previa a retirada gradual das forças israelenses em troca da libertação de reféns e da entrada de ajuda humanitária em larga escala.

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O acordo Trump e a posição de Washington

O plano apresentado por Trump, que segundo fontes da Casa Branca foi desenhado em parceria com mediadores do Catar e do Egito, estabelecia um cronograma de seis meses para a saída completa das tropas israelenses. Em contrapartida, o Hamas se comprometeria a entregar armas pesadas e a garantir a segurança dos corredores humanitários.

No entanto, a exigência de desarmamento total imposta por Netanyahu vai além do que foi acordado. Analistas apontam que essa postura pode inviabilizar o acordo e prolongar o conflito, que já dura mais de dez meses e causou a morte de mais de 39 mil palestinos, segundo o Ministério da Saúde local, além de deslocar cerca de 1,9 milhão de pessoas.

Atrito entre aliados e possíveis consequências

A divergência pública entre Tel Aviv e Washington é rara e sinaliza um momento delicado nas relações bilaterais. O governo Trump, que sempre se apresentou como o mais pró-Israel da história recente, agora enfrenta o desafio de equilibrar o apoio incondicional a Israel com a pressão internacional por um cessar-fogo imediato.

Especialistas ouvidos pela reportagem acreditam que a declaração de Netanyahu pode ser uma estratégia para ganhar tempo e fortalecer sua posição política internamente, diante das críticas da oposição e das famílias dos reféns. "Ele está tentando mostrar força, mas o custo humano e diplomático é alto", avaliou o cientista político Michael Horowitz, do Instituto de Estudos de Segurança Nacional de Israel.

Reação do Hamas e da comunidade internacional

O Hamas, por sua vez, rejeitou de forma veemente a condição imposta por Netanyahu. Em comunicado, o grupo afirmou que "a resistência é um direito legítimo do povo palestino" e que "as armas permanecerão enquanto houver ocupação". A organização também acusou Israel de tentar sabotar o acordo mediado pelos EUA.

A comunidade internacional, incluindo a União Europeia e a ONU, manifestou preocupação com o impasse. O secretário-geral da ONU, António Guterres, pediu que ambas as partes retomem o diálogo e evitem uma escalada que "poderia ter consequências catastróficas para toda a região".

Cenário humanitário em Gaza

Enquanto isso, a situação humanitária em Gaza segue crítica. Relatos de agências internacionais indicam que 80% da população depende de ajuda alimentar e que o sistema de saúde colapsou, com hospitais operando sem insumos básicos. A recente trégua permitiu a entrada de comboios com alimentos e medicamentos, mas o volume é insuficiente para atender às necessidades.

Moradores de áreas atingidas, como a Cidade de Gaza, descrevem um cenário de destruição total. "Não sobrou nada. Minha casa virou escombros e não temos para onde ir", disse à Reuters a palestina Umm Khaled, que vive em um abrigo improvisado.

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Próximos passos e expectativas

Ainda não há data para uma nova rodada de negociações, mas fontes diplomáticas indicam que enviados dos EUA devem viajar à região nos próximos dias para tentar salvar o acordo. A expectativa é de que a pressão internacional e o cansaço da população israelense, que há meses protesta pedindo a volta dos reféns, possam forçar um recuo de Netanyahu.

Por ora, a incerteza domina o cenário, e a promessa de um fim para o conflito parece cada vez mais distante. O que está em jogo não é apenas o destino de Gaza, mas também a credibilidade dos mediadores e a estabilidade de uma região já marcada por décadas de violência.