Houthis ameaçam fechar estreito vital de Bab el-Mandeb em apoio ao Irã
Houthis ameaçam fechar Bab el-Mandeb em apoio ao Irã

Os Houthis, grupo extremista do Iêmen, anunciaram nesta segunda-feira (20) um embargo marítimo contra a Arábia Saudita, classificando a nação vizinha de "criminosa" em comunicado à imprensa. A medida ocorre em meio a tensões regionais crescentes, com o grupo ameaçando fechar o Estreito de Bab el-Mandeb, uma das rotas petrolíferas mais importantes do mundo.

Preparações para ataque no estreito

Na quinta-feira (16), três fontes da agência Reuters — duas iranianas de alto escalão e uma próxima ao movimento iemenita, sob condição de anonimato — afirmaram que os Houthis estavam prontos para fechar o Estreito de Bab el-Mandeb caso os Estados Unidos atacassem a infraestrutura de energia iraniana. A ideia foi discutida entre a liderança do Irã e representantes do grupo no país. A fonte próxima aos Houthis detalhou que o grupo já concluiu os preparativos para atacar navios, implantando mísseis e drones perto do estreito, e aguarda ordem para iniciar o ataque. Representantes da Guarda Revolucionária Islâmica do Irã (IRGC), já presentes no Iêmen, controlarão a decisão sobre quando fechar o estreito.

Impacto nas rotas de petróleo

Com o Estreito de Ormuz já fechado, qualquer ataque dos Houthis a embarcações ou portos no Mar Vermelho interromperia simultaneamente as duas principais rotas de exportação de petróleo do Oriente Médio. Isso abriria uma nova frente na crise energética e no conflito mais amplo entre Irã e Estados Unidos. O Irã considera os Houthis parte de seu "Eixo da Resistência", aliança que inclui Hezbollah e grupos xiitas iraquianos, mas os rebeldes iemenitas ainda não entraram formalmente no conflito. Os EUA afirmam que o Irã forneceu armas, financiamento e treinamento aos Houthis; Teerã nega.

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Ameaças contra a Arábia Saudita

Nesta quinta-feira, o líder dos Houthis, Abdul Malik al-Houthi, declarou que todo o petróleo saudita e outras instalações vitais seriam alvos de mísseis e drones do grupo se Riad se envolvesse na guerra entre Irã e EUA. Na segunda-feira (13), o grupo lançou mísseis contra a Arábia Saudita após acusar o reino de bombardear um aeroporto sob seu controle, rompendo uma trégua de quatro anos.

Ataques dos EUA ao Irã

As Forças Armadas dos EUA lançaram uma nova onda de ataques contra o Irã na tarde desta quarta-feira (15), alvejando instalações usadas para ameaçar embarcações no Estreito de Ormuz. Explosões foram registradas em Bandar Abbas, principal cidade portuária do sul do Irã. Autoridades iranianas confirmaram a ofensiva. Durante a manhã, bombardeios na ilha de Grande Tunb mataram sete militares iranianos. O presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou que o Irã "quer muito" um acordo de paz, mas que cabe a Washington decidir. "Eles querem chegar a um acordo desesperadamente. Não gostam do que estamos fazendo e realmente querem negociar. Vamos descobrir se chegaremos a um acordo ou se simplesmente vamos acabar com isso", disse Trump.

Resposta iraniana

No começo da tarde, a Guarda Revolucionária do Irã ameaçou fechar outras rotas marítimas que beneficiem os EUA, em resposta ao bloqueio naval imposto por Washington. "A exportação de petróleo e gás da região será ou para todos ou para ninguém", afirmou a Guarda em comunicado.

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