Hamas nomeia Khalil al-Hayya como novo líder após morte de Sinwar
Hamas nomeia Khalil al-Hayya como novo líder

O movimento islâmico palestino Hamas anunciou nesta segunda-feira (20) a nomeação de Khalil al-Hayya como seu novo líder, substituindo Yahya Sinwar, que foi morto em um ataque israelense na Faixa de Gaza no mês passado. A decisão foi tomada pelo Conselho Shura do grupo, órgão máximo de deliberação, e ocorre em um momento crítico do conflito com Israel, que já dura mais de nove meses.

Quem é Khalil al-Hayya

Khalil al-Hayya, de 63 anos, é uma figura veterana do Hamas, tendo atuado como vice-líder do grupo em Gaza e chefe da delegação do Hamas nas negociações indiretas com Israel, mediadas por Egito e Catar. Ele nasceu no campo de refugiados de Jabalia, no norte de Gaza, e estudou engenharia civil na Universidade Islâmica de Gaza. Al-Hayya é conhecido por sua postura linha-dura, mas também por sua habilidade política e diplomática.

Em seu primeiro discurso como líder, al-Hayya afirmou que o Hamas continuará resistindo à ocupação israelense e que não aceitará um acordo de cessar-fogo que não garanta a retirada total das forças israelenses de Gaza e o fim do bloqueio. "Não há alternativa à resistência armada até que nossos direitos sejam restaurados", declarou, em mensagem transmitida pela televisão do grupo.

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Contexto da sucessão

A morte de Yahya Sinwar, em 13 de junho, foi um duro golpe para o Hamas. Sinwar foi morto em um ataque aéreo israelense em Khan Younis, no sul de Gaza, junto com outros comandantes do grupo. Desde então, o Hamas vinha conduzindo consultas internas para escolher seu sucessor, em meio à pressão militar israelense e às negociações de cessar-fogo mediadas por Estados Unidos, Egito e Catar.

Analistas apontam que a escolha de al-Hayya reflete a tentativa do Hamas de manter uma liderança forte e unificada, capaz de negociar com os mediadores internacionais, mas sem abandonar a resistência armada. Segundo o analista político Mohsen al-Awad, da Universidade de Gaza, "al-Hayya é um nome de consenso dentro do Hamas, com experiência em negociações e capacidade de equilibrar as diferentes facções do grupo".

Reações e impactos

Israel reagiu com ceticismo à nomeação. O porta-voz do governo israelense, Eylon Levy, afirmou que "a troca de líderes não muda a natureza terrorista do Hamas" e que Israel continuará sua campanha militar até eliminar a ameaça do grupo. Já os mediadores internacionais expressaram esperança de que a nova liderança possa facilitar um acordo de cessar-fogo. O Catar, que tem atuado como principal mediador, disse estar "pronto para trabalhar com qualquer liderança do Hamas que esteja comprometida com a paz".

A nomeação ocorre em meio a uma escalada da violência. Desde o início da guerra, em outubro de 2023, mais de 38 mil palestinos foram mortos em Gaza, segundo o Ministério da Saúde local, controlado pelo Hamas. O conflito também se expandiu para o norte de Israel e para a Cisjordânia, com trocas de foguetes e incursões militares.

Desafios pela frente

Al-Hayya assume a liderança em um dos momentos mais difíceis para o Hamas. A infraestrutura do grupo foi severamente danificada pelos ataques israelenses, e grande parte de sua liderança militar foi morta ou está foragida. Além disso, a população de Gaza enfrenta uma crise humanitária sem precedentes, com escassez de alimentos, água e medicamentos.

O novo líder terá que lidar com as negociações de cessar-fogo, a reconstrução de Gaza e a pressão internacional para que o Hamas aceite um acordo que inclua a libertação de reféns israelenses em troca de prisioneiros palestinos. Até o momento, as negociações estão emperradas, com o Hamas exigindo garantias de retirada total israelense e Israel condicionando qualquer trégua à desmilitarização de Gaza.

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