Guerra com EUA intensifica pressão sobre economia do Irã
Guerra com EUA pressiona economia do Irã

O conflito entre Irã e Estados Unidos está intensificando a pressão sobre a economia iraniana, já fragilizada por sanções internacionais e má gestão interna. A escalada militar, iniciada após ataques a instalações petrolíferas no Golfo Pérsico, provocou uma disparada da inflação e uma queda vertiginosa do valor do rial, a moeda local.

Inflação recorde e desvalorização cambial

Dados do Banco Central do Irã indicam que a inflação anual ultrapassou 50% em junho de 2026, o maior índice desde a Revolução Islâmica de 1979. O rial perdeu mais de 30% de seu valor frente ao dólar americano desde o início do ano, cotado a 420 mil riais por dólar no mercado paralelo. A desvalorização encarece drasticamente as importações de alimentos e medicamentos, afetando diretamente a população.

Segundo o economista iraniano Saeed Laylaz, em entrevista ao jornal Financial Times, “a economia iraniana está em estado de emergência. A guerra com os EUA veio para agravar uma situação que já era insustentável. As sanções cortaram o acesso a divisas e a infraestrutura produtiva está paralisada”.

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Setor petrolífero sob ataque

O setor petrolífero, principal fonte de receita do Irã, é alvo prioritário dos ataques americanos. A produção de petróleo caiu para 1,5 milhão de barris por dia, o menor nível em três décadas, contra uma média de 2,5 milhões antes do conflito. A destruição de refinarias e terminais de exportação reduziu drasticamente a capacidade de gerar receita externa.

O governo iraniano tenta conter a crise com racionamento de combustíveis e subsídios emergenciais, mas a escassez de gasolina já provoca filas quilométricas nos postos. A Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP) estima que o Irã perdeu 40% de sua capacidade de refino desde o início dos bombardeios.

Impacto social e protestos

A deterioração econômica reacendeu protestos populares em várias cidades, incluindo Teerã, Isfahan e Mashhad. Manifestantes exigem o fim do conflito e medidas para conter a carestia. A repressão policial já deixou dezenas de mortos e milhares de presos, segundo organizações de direitos humanos.

A agência de classificação de risco Moody's rebaixou a nota de crédito do Irã para C, indicando risco elevado de calote. A dívida externa iraniana soma cerca de US$ 15 bilhões, com vencimentos concentrados nos próximos dois anos. O Fundo Monetário Internacional (FMI) alertou que o país pode enfrentar uma hiperinflação se o conflito não for contido.

Perspectivas futuras

Analistas apontam que a estratégia de resistência do regime, baseada no discurso antiamericano, encontra limites na realidade econômica. O governo do presidente ultraconservador Ebrahim Raisi tenta negociar um cessar-fogo, mas as condições impostas pelos EUA – incluindo o desmantelamento do programa nuclear e o fim do apoio a milícias regionais – são consideradas inaceitáveis por Teerã.

Enquanto isso, a população sofre com cortes de energia, falta de remédios e desemprego elevado, que já atinge 20% da força de trabalho. A expectativa é que o Produto Interno Bruto (PIB) iraniano encolha 8% em 2026, aprofundando a recessão iniciada em 2018 com a saída dos EUA do acordo nuclear.

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