Reino Unido e França resgatam 150+ migrantes após incêndio no Canal
Resgate de 150 migrantes no Canal da Mancha

Uma das maiores operações de salvamento já registradas no Canal da Mancha foi realizada nesta terça-feira, após um barco de contrabandistas pegar fogo durante a travessia. Autoridades do Reino Unido e da França resgataram mais de 150 migrantes que estavam a bordo, em uma ação conjunta que mobilizou equipes de emergência dos dois países.

Detalhes do incidente

O incidente ocorreu por volta das 6h da manhã (horário local), quando o barco, que transportava cerca de 160 pessoas, começou a pegar fogo a poucos quilômetros da costa francesa. Testemunhas relataram que as chamas se espalharam rapidamente, forçando os ocupantes a pular na água gelada. Equipes de resgate francesas e britânicas foram acionadas imediatamente, com lanchas, helicópteros e embarcações de apoio.

De acordo com a guarda costeira francesa, todos os migrantes foram retirados do mar com vida, embora alguns tenham apresentado sintomas de hipotermia e inalação de fumaça. Pelo menos 12 pessoas foram hospitalizadas, mas nenhum ferimento grave foi relatado até o momento.

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Uma operação sem precedentes

O resgate foi considerado um dos maiores desde que os registros de travessias irregulares começaram a ser compilados. Em 2021, mais de 28 mil pessoas tentaram cruzar o Canal da Mancha, e o número vem aumentando a cada ano. Apenas em 2023, mais de 45 mil migrantes chegaram às costas britânicas, segundo dados do Ministério do Interior do Reino Unido.

O ministro da Imigração britânico, Robert Jenrick, classificou o episódio como “trágico e evitável”, e afirmou que o governo está trabalhando para desmantelar as redes de contrabando. “Essas pessoas estão arriscando suas vidas em embarcações precárias, muitas vezes superlotadas e sem condições de navegação”, disse Jenrick em entrevista coletiva.

Impacto e reações

O incidente reacendeu o debate sobre a política migratória no Reino Unido, que recentemente aprovou uma lei controversa que permite a deportação de migrantes para Ruanda. Organizações de direitos humanos, como a Anistia Internacional, criticaram a medida, afirmando que ela não resolve o problema e coloca vidas em risco.

“O governo britânico precisa de uma abordagem mais humana e eficaz, que combata as causas da migração e ofereça vias legais seguras”, declarou a diretora da Anistia Internacional no Reino Unido, Kate Allen.

Enquanto isso, as autoridades francesas reforçaram a vigilância na costa, mas reconhecem que a travessia continua sendo uma rota lucrativa para os contrabandistas. “Cada resgate é uma vitória, mas também um lembrete da desesperação dessas pessoas”, afirmou o prefeito de Calais, Jean-Marc Puissesseau.

Números crescentes

Segundo a Organização Internacional para as Migrações (OIM), pelo menos 205 migrantes morreram ou desapareceram no Canal da Mancha desde 2018. Somente em 2024, já são mais de 20 mortes confirmadas. O número de chegadas ao Reino Unido em 2024 ultrapassou 12 mil até março, um recorde para o período.

O resgate de hoje destaca a urgência de uma solução coordenada entre os países europeus. A França prometeu aumentar o patrulhamento e usar drones para monitorar a costa, mas especialistas alertam que, sem combater as causas da migração, o fluxo deve continuar.

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