Ambientalistas ocupam a copa do último álamo centenário da região de Lochiel, no Arizona, para impedir sua derrubada durante as obras de ampliação do muro na fronteira entre Estados Unidos e México. A árvore, com mais de 200 anos, tornou-se um símbolo de resistência e foi apelidada de 'nossa estátua da liberdade' pelos manifestantes.
Ocupação na copa da árvore
Desde o início da semana, ativistas se revezam em plataformas montadas nos galhos do álamo, localizado exatamente na linha divisória entre os dois países. A ocupação tem como objetivo bloquear fisicamente o avanço das máquinas que pretendem derrubar a árvore para dar lugar a uma seção do novo muro de concreto, que substituirá a cerca atual.
Segundo os manifestantes, a árvore é um marco histórico e ecológico da região, abrigando diversas espécies de aves e servindo como ponto de encontro para a comunidade local. 'Ela é um símbolo de vida em um lugar onde a divisão tenta imperar', afirmou um dos ativistas, que preferiu não se identificar.
Contexto da obra e reações
A ampliação do muro faz parte do programa de reforço da segurança fronteiriça implementado pelo governo federal. Autoridades locais afirmam que a obra é necessária para conter a imigração ilegal e o tráfico de drogas, mas críticos apontam danos ambientais e culturais irreversíveis.
Dados do Serviço Nacional de Parques indicam que a região já perdeu mais de 90% de sua vegetação nativa nos últimos 50 anos devido à construção de barreiras e ao desenvolvimento urbano. A derrubada do álamo, que é uma das últimas árvores antigas da área, seria mais um golpe para o ecossistema local.
Impacto e próximos passos
Enquanto a ocupação continua, organizações ambientais planejam entrar com ações judiciais para obter uma liminar que suspenda a obra até que um estudo de impacto ambiental completo seja realizado. A polícia local acompanha a situação, mas ainda não tentou remover os manifestantes.
O caso ganhou repercussão nacional e internacional, com hashtags como #SaveThePoplar e #NossaEstátuaDaLiberdade circulando nas redes sociais. Ativistas de outros estados prometem se juntar à ocupação nos próximos dias, aumentando a pressão sobre as autoridades.
Para a comunidade local, a árvore representa mais do que um vegetal: é um elo com a história e a identidade da região. 'Ela viu gerações passarem, e queremos que veja as futuras também', disse uma moradora de Lochiel, emocionada.



