Trump critica ExxonMobil e Chevron por lucros recordes e pede redução de preços
Trump critica petroleiras por lucros e pede redução de preços

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou a pressionar publicamente as gigantes do setor de petróleo ExxonMobil e Chevron, acusando-as de obter lucros excessivos em meio à alta do petróleo provocada pelo conflito no Oriente Médio. Em declarações feitas nesta segunda-feira, dia 3, na Casa Branca, o mandatário afirmou que as companhias estão “ganhando dinheiro demais” e cobrou uma contrapartida à população americana, que enfrenta preços elevados na bomba de combustível.

“Não gosto disso. Eu deveria ser a última pessoa a dizer isso, porque sou um grande defensor da livre iniciativa, ninguém mais do que eu. Estão surpresos por eu dizer isso? Vou dizer em alto e bom som. Não estou satisfeito”, declarou Trump a jornalistas, em um tom incomum para um governo historicamente alinhado ao setor de combustíveis fósseis.

Lucros bilionários e pressão sobre a inflação

As duas petroleiras somaram lucro conjunto de US$ 29 bilhões (cerca de R$ 147 bilhões) no segundo trimestre de 2025, o que equivale a US$ 318 milhões (R$ 1,6 bilhão) por dia. O resultado representa mais que o triplo do registrado no mesmo período do ano anterior, impulsionado principalmente pela disparada do preço do petróleo decorrente da crise no Estreito de Ormuz, rota vital para o escoamento do produto.

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Além da extração, os ganhos também vieram das refinarias, que vendem gasolina, diesel e combustível de aviação a preços elevados. Nos Estados Unidos, os combustíveis seguem o mercado internacional sem intervenção ou subsídios do governo, diferentemente do que ocorre no Brasil. O aumento do custo da gasolina ao consumidor pressiona a inflação americana e afeta diretamente a popularidade de Trump a poucos meses das eleições legislativas de novembro.

Reação do mercado e críticas aos executivos

Na tarde desta segunda-feira, as ações da Chevron recuavam cerca de 2%, acompanhando a queda do petróleo, enquanto os papéis da ExxonMobil caíam 0,6%. Mais cedo, Trump atacou o diretor-presidente da Chevron, Mike Wirth, por não ter dado crédito às políticas de seu governo durante entrevista à Fox Business Network. Wirth atribuiu o desempenho da companhia à produção recorde nos EUA e ao volume processado pelas refinarias.

“A única coisa que ele convenientemente se esqueceu de mencionar é que, sem a visão genial, a força e a estabilidade do governo TRUMP, a indústria do petróleo e o próprio país estariam MORTOS!”, escreveu o presidente na rede Truth Social.

Em resposta, Wirth reconheceu que o governo Trump foi “muito útil” para ampliar a oferta de petróleo e afirmou: “As medidas adotadas estão corretas”.

Impacto no bolso do consumidor

Os americanos enfrentam, em média, preço superior a US$ 4 por galão de gasolina comum, cerca de 30% acima do valor registrado quando Trump assumiu o cargo. Esse aumento se soma aos custos elevados de moradia, alimentos e bens de consumo, gerando avaliações negativas sobre a condução da economia e do conflito, o que ameaça as chances dos republicanos no pleito legislativo.

Trump, alvo de críticas pelas consequências econômicas da guerra, passou a apontar as grandes petroleiras como responsáveis pelos preços elevados. Em junho, determinou que o Departamento de Justiça investigasse por que os preços da gasolina não haviam caído, sugerindo possível cobrança abusiva.

As companhias e representantes do setor rejeitam as acusações, argumentando que sua participação no mercado é pequena demais para influenciar as cotações. A estratégia de Trump ecoa a de seu antecessor, Joe Biden, que em 2022 criticou duramente as petroleiras após a invasão da Ucrânia pela Rússia, chegando a afirmar que a ExxonMobil havia “ganhado mais dinheiro do que Deus”.

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