Trump tem 'outras cartas na mão' para manter tarifaço, diz pesquisadora
Trump tem 'outras cartas na mão' para manter tarifaço

Apesar de a Suprema Corte dos Estados Unidos ter limitado o uso da Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional (IEEPA) pelo governo Trump, o ex-presidente ainda dispõe de outros instrumentos legais para manter sua ofensiva tarifária. A avaliação é da pesquisadora brasileira Bruna Santos, estudiosa das relações entre Brasil e EUA, que vive em Washington.

Ferramentas legais alternativas

Segundo Santos, Trump pode recorrer a seções da Lei de Comércio de 1976, que concedem ao presidente autoridade para impor tarifas em situações de desequilíbrio comercial ou ameaça à segurança nacional. “Trump tem outras cartas na mão. Ele não depende exclusivamente da IEEPA para avançar com sua agenda protecionista”, afirmou a pesquisadora em entrevista ao jornal O Globo.

A especialista destacou que o tarifaço não é uma medida temporária, mas uma mudança estrutural na política econômica dos EUA. “Isso veio para ficar, independentemente de quem estiver na Casa Branca”, completou.

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Impacto global e fortalecimento da China

Bruna Santos alerta que a ofensiva tarifária tem efeitos globais, podendo beneficiar a China no longo prazo. “Ao fechar o mercado americano, Trump empurra outros países para uma maior aproximação com a China, que se apresenta como alternativa comercial”, explicou. A pesquisadora também mencionou que a decisão da Suprema Corte, embora limite o uso da IEEPA, não invalida as tarifas já aplicadas.

Segundo dados do governo americano, as tarifas impostas por Trump desde 2025 afetaram mais de US$ 300 bilhões em importações. A medida gerou retaliações de parceiros comerciais, como a União Europeia e o Canadá.

Reações no Brasil

No Brasil, o governo acompanha com atenção os desdobramentos. O Ministério da Economia avalia os impactos potenciais sobre as exportações brasileiras, especialmente de aço e alumínio. “Precisamos diversificar nossos parceiros comerciais para reduzir a vulnerabilidade”, afirmou um técnico da pasta, sob condição de anonimato.

A pesquisadora conclui que o cenário exige cautela: “O protecionismo americano é um fenômeno de longo prazo. O Brasil precisa se preparar para um ambiente comercial mais hostil.”

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