Tarifaço de Trump: impacto menor que o esperado no Brasil
Tarifaço de Trump: impacto menor que o esperado no Brasil

O tarifaço imposto pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre importações de aço e alumínio terá um impacto menor do que o inicialmente temido para o Brasil. De acordo com um estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), as tarifas devem reduzir o Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro em apenas 0,02%. O número é bem inferior às projeções mais pessimistas, que chegaram a apontar perdas de até 0,5%.

Estudo do Ipea detalha os efeitos

O levantamento, divulgado nesta quarta-feira, analisou as consequências das sobretaxas de 25% sobre o aço e de 10% sobre o alumínio, anunciadas por Trump em março. O Brasil é um dos maiores exportadores desses produtos para os EUA, mas a pesquisa mostra que a diversificação da pauta exportadora brasileira e a capacidade de redirecionar vendas para outros mercados atenuam o golpe.

“O impacto é pequeno porque o Brasil já vem reduzindo sua dependência do mercado americano para esses metais”, explicou o pesquisador do Ipea, José Carlos de Souza. “Além disso, as empresas brasileiras têm conseguido repassar parte do custo para os compradores ou buscar alternativas na Ásia e na Europa.”

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Setores mais afetados

Apesar do baixo impacto agregado, alguns segmentos sentem mais o peso das tarifas. A indústria siderúrgica, por exemplo, pode registrar queda de até 2% nas exportações para os EUA. Já o setor de alumínio, que tem menor peso na economia, deve sofrer uma redução de 1,5% nas vendas externas. “As empresas de pequeno e médio porte são as mais vulneráveis, pois têm menos capacidade de negociação e de acesso a novos mercados”, destacou Souza.

O estudo também aponta que as tarifas podem gerar um efeito indireto sobre o emprego, com a possível eliminação de até 3 mil postos de trabalho na cadeia produtiva do aço e do alumínio. No entanto, o número é considerado “modesto” pelos pesquisadores, em comparação com os 12 milhões de desempregados no país.

Reação do governo brasileiro

O governo brasileiro já anunciou que recorrerá à Organização Mundial do Comércio (OMC) contra as medidas protecionistas de Trump. O ministro da Economia, Paulo Guedes, classificou as tarifas como “injustificáveis” e afirmou que o Brasil buscará uma solução negociada. “Vamos defender nossos interesses comerciais com firmeza, mas sem radicalismo”, disse Guedes em entrevista coletiva.

Enquanto isso, a Confederação Nacional da Indústria (CNI) recomenda que as empresas brasileiras diversifiquem seus destinos de exportação. “O momento é de cautela, mas também de oportunidade. O Brasil pode ampliar sua presença em mercados como China e União Europeia”, avaliou o presidente da CNI, Robson Braga de Andrade.

Comparação com outros países

O impacto das tarifas sobre o Brasil é menor do que sobre outros países, como Canadá e México, que têm uma exposição muito maior ao mercado americano. Para o Canadá, as perdas podem chegar a 0,1% do PIB. Já para a China, os efeitos são ainda mais limitados, devido à menor dependência das exportações de metais para os EUA.

“O Brasil está em uma posição intermediária. Não somos tão vulneráveis quanto os vizinhos do Nafta, mas também não estamos imunes”, concluiu Souza. O estudo do Ipea será usado pelo governo brasileiro nas negociações comerciais com os EUA, que devem ocorrer nas próximas semanas.

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