O preço do querosene de aviação registrou alta de 57,6% em junho de 2026 na comparação com o mesmo mês do ano anterior, segundo dados divulgados pelo governo federal. O aumento é reflexo direto da escalada do conflito no Oriente Médio e da valorização do petróleo no mercado internacional, que pressionam os custos das companhias aéreas e, consequentemente, o valor das passagens.
Impacto no bolso do consumidor
Com o encarecimento do combustível, o preço médio das passagens aéreas domésticas atingiu R$ 660,54 em junho, valor 12% superior ao registrado no mesmo período de 2025. A alta acumulada nos últimos 12 meses chega a 57,6%, conforme apurou o Ministério de Portos e Aeroportos. A guerra no Oriente Médio, que afeta a logística global de petróleo, é apontada como o principal fator por trás da disparada.
Medidas do governo
Para conter o impacto sobre os consumidores, o governo federal anunciou um pacote de medidas em maio, incluindo a isenção das contribuições de PIS e Cofins sobre o querosene de aviação até 31 de dezembro de 2026. Além disso, foram abertas linhas de crédito especiais para as companhias aéreas, com o objetivo de minimizar os repasses aos passageiros.
O ministro de Portos e Aeroportos, Tomé Franca, destacou que as ações já surtiram efeito. "Sem essas medidas, o aumento das passagens teria sido ainda maior. Estamos monitorando a situação e, se o conflito persistir, podemos prorrogar a isenção tributária", afirmou Franca em entrevista coletiva.
Perspectivas para o setor
Especialistas do setor aéreo avaliam que, embora as medidas governamentais tenham aliviado parcialmente a pressão, a tendência é de manutenção dos preços elevados enquanto o barril de petróleo se mantiver acima dos US$ 90. A guerra no Oriente Médio continua a gerar incertezas quanto à oferta global de petróleo, o que mantém o querosene de aviação em patamares elevados.
O Sindicato Nacional das Empresas Aeroviárias (SNEA) informou que as companhias têm absorvido parte do aumento de custos, mas a margem de lucro do setor já está comprometida. "O querosene representa cerca de 40% dos custos operacionais de uma companhia aérea. Com a alta de 57,6%, fica inviável não repassar ao consumidor", explicou o presidente do SNEA, Pedro Mendes.
Recomendações aos passageiros
Diante do cenário, a Associação Brasileira das Agências de Viagens (ABAV) recomenda que os consumidores pesquisem com antecedência e considerem destinos alternativos para minimizar os gastos. A entidade também sugere a compra de passagens com pelo menos 30 dias de antecedência, prática que pode gerar economia de até 20%.



