O governo dos Estados Unidos, sob a administração de Donald Trump, anunciou nesta quarta-feira (22) a imposição de novas tarifas sobre produtos importados de 60 países, com alíquotas de 10% e 12,5%. O Brasil está entre os países mais afetados, com uma sobretaxa de 12,5% sobre suas exportações para o mercado americano. A medida, que entra em vigor nesta quinta-feira (23), tem como justificativa oficial o combate a produtos oriundos de trabalho forçado, mas também é vista como uma escalada na guerra comercial promovida por Trump.
Lista de países afetados e alíquotas
Além do Brasil, outras grandes economias foram atingidas. A China, maior parceiro comercial dos EUA, terá tarifa de 12,5% sobre uma ampla gama de produtos. A Índia também foi incluída na lista, com alíquota de 10%. O México, que possui acordo comercial com os EUA (USMCA), não escapou: terá tarifa de 10% sobre itens específicos. No total, 60 nações foram listadas, incluindo países da União Europeia, como Alemanha (10%) e França (12,5%), além de nações asiáticas como Japão (10%) e Coreia do Sul (12,5%).
Impacto sobre o Brasil
Para o Brasil, a tarifa de 12,5% representa um duro golpe, especialmente para setores como siderurgia, agricultura e manufaturados. O Porto de Santos, principal escoadouro da produção brasileira, já sente os efeitos, com contêineres parados e exportadores preocupados. Segundo especialistas, a medida pode reduzir as exportações brasileiras para os EUA em até US$ 5 bilhões no curto prazo. O governo brasileiro ainda não anunciou contramedidas, mas fontes do Itamaraty indicam que a OMC deve ser acionada.
Reações internacionais
A União Europeia classificou a medida como "protecionista e injustificada" e prometeu retaliar. A China, por sua vez, afirmou que "tomará as medidas necessárias para defender seus interesses". O presidente mexicano Andrés Manuel López Obrador declarou que "não aceitaremos imposições unilaterais". Já o governo Trump defendeu a ação, afirmando que "é hora de colocar os americanos em primeiro lugar e punir práticas comerciais desleais".
Contexto e próximos passos
Este novo tarifaço amplia a tensão comercial global, que já havia sido elevada com as tarifas anteriores sobre aço e alumínio. Analistas preveem que a medida pode levar a uma retaliação em cadeia, afetando cadeias globais de suprimento e elevando preços ao consumidor nos próprios EUA. O Brasil, que buscava um acordo comercial com os EUA, vê agora suas negociações prejudicadas. A expectativa é que o assunto domine a pauta da próxima reunião do G20.



