O ministro das Relações Exteriores do Irã, Seyed Abbas Araghchi, classificou como 'precedente incendiário' a ameaça do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de usar ativos iranianos sob controle americano para pagar indenizações por danos a navios. A declaração ocorreu após Trump afirmar, nesta quinta-feira (23), que 'todo dano causado a navios, cargas ou bens relacionados ao transporte marítimo será pago com recursos iranianos que estão sob posse e controle do governo americano'. Em publicação nas redes sociais, Araghchi alertou para o 'caos' que tal medida poderia gerar: 'Aqueles que celebram ou lucram com esses fundos devem se lembrar: uma vez que os governos normalizam a confiscação, os ativos de ninguém estão seguros'.
Contexto das ameaças
A reação iraniana ocorreu um dia após os EUA ameaçarem bombardear infraestrutura do Irã caso embarcações fossem atacadas no Estreito de Ormuz. Trump escreveu: 'Que esta declaração sirva para informar que, até novo aviso, a partir deste momento, todo e qualquer dano causado a navios, cargas ou qualquer coisa relacionada a eles será pago com recursos iranianos que estão em posse dos Estados Unidos e sob seu controle'. O presidente americano acrescentou que os prejuízos 'podem ser muito substanciais', mas afirmou que essa seria 'a medida justa e equitativa a ser adotada'. A publicação não detalha quais ativos iranianos seriam usados nem o mecanismo jurídico para os pagamentos.
Rejeição a cessar-fogo
Horas mais tarde, o Irã rejeitou uma proposta de cessar-fogo apresentada por Trump e levada pelo primeiro-ministro do Iraque, segundo o jornal The New York Times, citando autoridades iranianas e iraquianas. Os detalhes da proposta não foram divulgados, mas autoridades iranianas informaram que o governo não tinha interesse em um acordo temporário que não resolvesse o controle do Estreito de Ormuz, rota estratégica para o transporte de petróleo. Em entrevista à televisão estatal iraniana, Araghchi afirmou que o primeiro-ministro iraquiano compartilhou com Teerã suas 'visões e impressões' após a passagem por Washington, mas disse que o problema entre os dois países não é a falta de intermediários. Segundo o ministro, Irã e Estados Unidos já contam com mediadores suficientes para transmitir mensagens.
Ameaças recíprocas
Na quarta-feira (22), Trump havia dito que os EUA destruiriam 'uma ponte ou usina elétrica' no Irã sempre que a República Islâmica disparasse contra um navio no Estreito de Ormuz. Em resposta, a Guarda Revolucionária do Irã afirmou que cortaria o fornecimento de energia de aliados dos Estados Unidos no Oriente Médio caso os americanos bombardeassem usinas iranianas. O comando militar iraniano também ameaçou interromper o fluxo de petróleo no Golfo Pérsico e atacar infraestruturas energéticas e econômicas de países da região.
Ataques no Mar Vermelho
Ainda na quarta-feira, os Houthis, grupo extremista do Iêmen apoiado pelo Irã, disseram ter atacado dois petroleiros da Arábia Saudita no Mar Vermelho, alegando que as embarcações violaram um bloqueio naval imposto pelos rebeldes. O governo saudita confirmou um ataque a um petroleiro, mas a agência britânica United Kingdom Maritime Trade Operations (UKMTO), que monitora a segurança da navegação na região, não atribuiu oficialmente a autoria da ação.



