Os incêndios florestais e a seca extrema estão devastando olivais no sul da Europa, colocando em risco a produção de azeite e pressionando os preços globais. A Comissão Europeia revisou sua previsão para a produção de azeite do bloco, que deve recuar 5% no ciclo 2025/26, com a Grécia enfrentando uma queda de 18%. O cenário é agravado por ondas de calor que já causaram mais de 1.300 mortes em uma semana e por estudos que mostram que o número de dias com condições extremas de incêndio dobrou desde 1981.
Impacto nos olivais gregos
Na Grécia, as chamas destruíram florestas e oliveiras poucos meses antes da colheita. A produtora Anastasia Hatzoglou, em entrevista à Reuters, descreveu a devastação: “É uma sensação terrível quando você constrói algo com tanto esforço, e quando dinheiro não é fácil de conseguir”. Ela relatou que sua casa sofreu danos extensos e suas oliveiras foram queimadas, em um golpe duro para a renda familiar.
O portal grego Neakriti aponta que o déficit hídrico, agravado por ondas de calor e incêndios, reduz a produtividade dos olivais. Além do fogo, a fumaça, a piora da qualidade do ar e o aumento de pragas prejudicam o tamanho dos frutos e a qualidade do azeite. O calor prolongado também facilita o avanço de pragas em toda a região mediterrânea, como descreve o portal italiano Dissapore.
Espanha e custos de produção
Na Espanha, maior produtora mundial de azeite, a associação agrícola ASAJA informou que incêndios desde meados de julho atingiram pomares, vinhedos, estufas e olivais, devastando milhares de hectares. A entidade, citada pelo The Guardian, alerta que o principal impacto não é a redução das exportações, mas o aumento dos custos de produção, que tende a ser repassado aos consumidores. A Espanha também enfrenta restrições hídricas, reduzindo a umidade do solo e aumentando o risco de queda prematura das azeitonas.
Antes dos incêndios, a colheita de cereais no país já havia sido revisada para baixo, de 24 milhões para cerca de 18,5 milhões de toneladas, ampliando a pressão sobre os preços agrícolas. O portal Data España ressalta que o mercado de azeite continua frágil após uma queda recente nos custos, sucedendo um período de valores recordes. No início do ano, chuvas intensas causaram alagamentos e reduziram as previsões, e agora a seca e o fogo voltam a ameaçar a produção.
Impacto mais amplo na agricultura
Os efeitos climáticos não se limitam às oliveiras. A associação francesa Légumes de France estima perdas de milhares de toneladas de hortaliças, como alface, cenoura, alho, cebola e alho-poró, com quedas de até 50% em algumas regiões devido à falta de chuva. Vinhedos em Champagne, Bordeaux e Borgonha também sofrem com o amadurecimento acelerado das uvas, ameaçando os rendimentos da safra.
A Europa enfrentou em junho e julho de 2026 uma das ondas de calor mais severas já registradas, com temperaturas acima de 40°C em países como Alemanha, França, Dinamarca e República Tcheca. O calor extremo provocou mais de 1.300 mortes na última semana de junho, além de interrupções em serviços públicos, derretimento de asfalto e cancelamento de eventos. Cientistas afirmam que esse tipo de evento seria “praticamente impossível” sem o aquecimento global, e que a Europa aquece duas vezes mais rápido que a média mundial, com temperaturas médias 2,5°C acima dos níveis pré-industriais.
Esse conjunto de fatores consolidou 2026 como um dos verões mais extremos do continente, agravando a pressão sobre sistemas agrícolas vulneráveis e elevando os custos de produção, o que pode resultar em novos aumentos nos preços de alimentos como o azeite de oliva.



