Rio 2016: 10 anos depois, legado olímpico entre avanços e dívidas
Rio 2016: legado olímpico entre avanços e dívidas

Dez anos após a cerimônia de abertura dos Jogos Olímpicos Rio 2016, o balanço do legado deixado pela competição é um misto de conquistas e frustrações. A cidade ganhou novos equipamentos urbanos, como o Boulevard Olímpico e o Parque Olímpico, e viu projetos de mobilidade avançarem, como o VLT e a TransOlímpica. No entanto, a capital fluminense ainda convive com obras inacabadas, equipamentos subutilizados e metas frustradas em áreas estratégicas como segurança, transporte e saneamento.

Os ganhos concretos do legado olímpico

Entre os avanços mais visíveis estão a revitalização da região portuária, que ganhou o Boulevard Olímpico e o Museu do Amanhã, e a construção do Parque Olímpico, na Barra da Tijuca, que hoje abriga arenas esportivas e o Centro de Tênis. A linha 4 do metrô, que liga Ipanema à Barra, reduziu o tempo de deslocamento para milhares de passageiros diariamente. O VLT, que circula pelo centro da cidade e pela zona portuária, também é apontado como um sucesso de mobilidade.

Obras inacabadas e equipamentos subutilizados

Por outro lado, o legado olímpico deixou dívidas. O Estádio Nilton Santos, que recebeu as provas de atletismo, segue sem um uso definitivo. A Arena Carioca 3, na Vila Olímpica, foi desmontada e transferida para o Rio de Janeiro, mas não foi reerguida até hoje. O Parque Aquático Maria Lenk, que sediou competições de natação e saltos, foi fechado em 2023 e permanece sem previsão de reabertura. Segundo especialistas, a falta de planejamento de longo prazo e a crise financeira do estado contribuíram para o abandono de parte dos equipamentos.

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Metas frustradas em segurança, transporte e saneamento

O legado prometido em áreas estratégicas também ficou aquém. Na segurança, a meta de reduzir a criminalidade na região portuária não se consolidou, e a cidade segue enfrentando altos índices de violência. No transporte, a promessa de ampliar a malha de trens e metrô não foi cumprida integralmente; a linha 4, por exemplo, opera com capacidade reduzida e enfrenta problemas de manutenção. No saneamento, a meta de tratar 80% do esgoto da cidade até 2016 não foi alcançada; dados do Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento (SNIS) indicam que o índice de tratamento de esgoto no Rio ainda gira em torno de 50%.

O que dizem os especialistas e moradores

"O legado olímpico foi parcial. Tivemos ganhos importantes, mas a falta de continuidade nas políticas públicas e a crise econômica deixaram marcas. O carioca convive com estruturas que custaram caro e hoje estão ociosas", avalia o urbanista Paulo Cezar. Moradores da região portuária também reclamam da falta de segurança e da manutenção dos espaços públicos. "O Boulevard é bonito, mas à noite é perigoso. Falta policiamento e conservação", diz a comerciante Maria Aparecida.

O futuro do legado olímpico

Diante do cenário, a prefeitura do Rio anunciou, em 2025, um plano de revitalização do Parque Olímpico e de reativação do Parque Aquático, com investimentos privados. A gestão municipal também estuda a criação de um polo de inovação e tecnologia na região, para atrair empresas e gerar empregos. No entanto, especialistas alertam que a efetividade dessas medidas dependerá da capacidade de manter as estruturas em uso e de integrar as políticas públicas nas áreas de segurança, transporte e saneamento.

"Precisamos de um plano de longo prazo, com metas claras e financiamento garantido. O legado só se consolida quando a população se apropria dos espaços e os serviços funcionam de fato", conclui o pesquisador em políticas públicas, João Carlos.

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