Impacto de políticas fiscais deve desacelerar em 2026
Impacto fiscal deve desacelerar em 2026

O impacto das políticas fiscal e monetária sobre a atividade econômica brasileira deve perder força ao longo de 2026, segundo projeções do Banco Central (BC). A informação consta do Relatório de Política Monetária, divulgado nesta quarta-feira (4). O documento aponta que a política fiscal expansionista, que impulsionou o crescimento em 2025, terá efeito menor neste ano, enquanto a política monetária contracionista também terá influência reduzida.

Desaceleração gradual do impulso fiscal

De acordo com o BC, o impulso fiscal, medido pela variação do resultado primário estrutural, deve passar de 0,4 ponto percentual do PIB em 2025 para 0,1 ponto em 2026. Isso significa que o estímulo dado pelos gastos do governo será bem menor, contribuindo para uma desaceleração da economia. A autoridade monetária ressalta que a incerteza em torno dessas estimativas é elevada, mas a tendência é de redução gradual.

Política monetária com efeito menor

No campo monetário, o BC estima que o impacto defasado das altas da Selic sobre a atividade econômica atinja seu pico no primeiro trimestre de 2026 e depois decline. Com a manutenção da taxa básica em patamar elevado, o efeito contracionista tende a se dissipar ao longo do ano. O relatório destaca que, apesar da desaceleração, o Banco Central segue atento à evolução da inflação e seus efeitos sobre as expectativas.

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Impacto sobre o PIB e inflação

A combinação desses fatores deve levar a um crescimento do PIB mais moderado em 2026, com projeções do mercado indicando avanço de cerca de 1,5%. A inflação, por sua vez, deve convergir para a meta, embora com riscos de curto prazo. O BC reforça que a política fiscal é um dos principais determinantes das expectativas de inflação e que a consolidação fiscal é essencial para a ancoragem.

Reações e perspectivas

Economistas ouvidos pelo Valor avaliam que a desaceleração do impulso fiscal é positiva para a credibilidade da política econômica, mas alertam para a necessidade de reformas estruturais. "A redução do impulso fiscal é bem-vinda, mas o governo precisa avançar na agenda de ajuste para garantir a sustentabilidade da dívida", afirma a economista-chefe de uma gestora local.

O relatório do BC também menciona que a política fiscal tem impacto relevante sobre a taxa de juros neutra, o que reforça a importância de um ajuste fiscal consistente. Com a desaceleração do impulso, espera-se que o Banco Central possa iniciar um ciclo de corte de juros no segundo semestre, desde que a inflação continue em trajetória de queda.

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