A inteligência artificial pode tropeçar na tomada. É o que aponta o especialista em mercado financeiro Otávio Fakoury, que alerta para o gargalo energético que ameaça a expansão da IA. Segundo ele, o avanço dos softwares de IA depende de uma infraestrutura elétrica robusta, cuja capacidade não acompanha o ritmo das inovações.
Consumo energético dos data centers
Dados da Agência Internacional de Energia (AIE) revelam que os data centers já consomem 1,5% de toda a energia elétrica gerada no mundo. A projeção é que esse percentual dobre até 2030, impulsionado pelo crescimento da computação em nuvem e da inteligência artificial. Esse aumento expressivo no consumo pode se tornar um obstáculo significativo para novos projetos de IA.
Impacto no mercado financeiro
O especialista Otávio Fakoury destaca que, se a infraestrutura elétrica não for expandida na mesma velocidade, as expectativas de valorização das ações de empresas de tecnologia podem ser revistas para baixo. “A IA é intensiva em energia, e sem investimentos em geração e distribuição elétrica, o ritmo de inovação pode desacelerar”, afirma Fakoury. Isso afetaria diretamente o valuation de gigantes como Google, Microsoft e Amazon, que lideram a corrida da IA.
Desafios para a expansão da IA
Além do consumo energético, a construção de novos data centers enfrenta entraves como licenciamento ambiental, custos de transmissão e disponibilidade de terrenos. A AIE estima que, para atender à demanda de IA, será necessário um investimento global de US$ 2,5 trilhões em infraestrutura elétrica até 2030. Sem isso, projetos de IA podem sofrer atrasos e ter seu escopo reduzido.
Para o mercado financeiro, o alerta é claro: a euforia com a IA precisa ser temperada com a realidade energética. “O potencial da IA é enorme, mas ele não se concretizará se a tomada não aguentar”, conclui Fakoury.



