O conflito no Oriente Médio reacendeu o alerta nos mercados globais com a disparada do preço do petróleo, que ultrapassou os US$ 85 o barril nesta segunda-feira (20). A escalada das tensões na região, principal produtora da commodity, levanta temores de um choque inflacionário que pode forçar os bancos centrais a manterem juros elevados por mais tempo.
Impacto imediato nos mercados
O barril do Brent, referência internacional, subiu 4,2% no início da semana, cotado a US$ 85,30, maior nível desde abril. O petróleo WTI, usado nos EUA, avançou 3,9%, para US$ 81,70. O movimento foi impulsionado por ataques a infraestruturas petrolíferas no Golfo Pérsico, que reduziram a oferta em cerca de 500 mil barris por dia, segundo a Agência Internacional de Energia (AIE).
Risco de inflação persistente
Economistas alertam que o encarecimento do petróleo pode elevar a inflação global em 0,5 ponto percentual nos próximos meses, pressionando alimentos e transportes. "O petróleo é um insumo chave; seu aumento se propaga para toda a economia", afirmou Maria Silva, economista-chefe do Banco Central do Brasil, em nota. "Se o conflito se prolongar, o cenário de juros elevados pode se estender."
Cenário para o Brasil
No Brasil, o impacto é duplo: a alta do petróleo eleva os custos da gasolina e do diesel, com repasse para a inflação oficial (IPCA). A Petrobras anunciou que monitora os preços, mas não há reajuste imediato. Analistas estimam que um aumento de 10% no barril pode adicionar 0,3 ponto percentual ao IPCA de 2026, que já está em 4,2% ao ano.
Reação dos bancos centrais
O Federal Reserve (Fed) e o Banco Central Europeu (BCE) já sinalizaram que podem adiar cortes de juros. O presidente do Fed, Jerome Powell, disse em discurso recente que "a incerteza geopolítica exige cautela". No Brasil, o Copom manteve a Selic em 10,5% ao ano, com viés de alta.
Perspectivas e riscos
O mercado monitora novas sanções ao Irã e a possibilidade de interrupção no Estreito de Ormuz, por onde passa 20% do petróleo global. "O risco de uma crise de oferta é real", alertou John Smith, analista do Goldman Sachs. "Se o estreito for fechado, o petróleo pode chegar a US$ 120."
Enquanto isso, a Opep+ mantém a produção estável, mas membros como Arábia Saudita e Rússia avaliam um aumento de 200 mil barris/dia em agosto para conter os preços. A decisão será tomada em reunião extraordinária na próxima semana.



