Exportações de petróleo para Ásia disparam 72% com demanda asiática
Exportações de petróleo para Ásia disparam 72%

As exportações de petróleo cru brasileiro para a Ásia cresceram 72% em valor no primeiro semestre de 2026, totalizando US$ 18,7 bilhões, impulsionadas por uma demanda asiática cada vez maior e pela diversificação de fornecedores em meio a conflitos no Oriente Médio e tarifas americanas. Indonésia e Índia lideraram o avanço, com aumentos de 157% e 132% nas compras, respectivamente.

Alta expressiva em volume e valor

De acordo com dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic), as exportações totais de petróleo cru brasileiro cresceram 11,4% neste ano, chegando a 51,1 milhões de toneladas. No entanto, o movimento mais notável foi o aumento do apetite asiático: a Indonésia elevou suas compras em 157,6%, passando de 316,5 mil toneladas para 815,5 mil toneladas. A Índia, segundo maior comprador, aumentou em 132,6%, com importações de 4,1 milhões de toneladas, ante 1,77 milhão no mesmo período de 2025.

A China, maior parceira comercial do Brasil, manteve sua posição de principal destino, com alta de 41% nas compras, totalizando 27,9 milhões de toneladas, o que representa 54% de todo o óleo exportado pelo país. Cingapura também expandiu suas importações em 28,3%, para 1,5 milhão de toneladas. No total, as vendas para esses quatro países somaram US$ 18,7 bilhões, ante US$ 10,88 bilhões no ano anterior, um salto de 72%.

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Fatores por trás do crescimento

O conflito no Golfo Pérsico e as tarifas impostas pelo presidente americano Donald Trump são apontados como catalisadores dessa mudança. Cerca de 40% do petróleo consumido pelos países asiáticos vinha da região do Golfo, e a interrupção do tráfego levou à busca por novos fornecedores. Além disso, as tarifas americanas geraram incerteza regulatória, incentivando os exportadores brasileiros a buscar mercados mais previsíveis.

Pedro Rodrigues, sócio da consultoria CBIE, explica: "O crescimento das exportações brasileiras para a Ásia resulta da combinação entre a expansão da produção nacional, a busca asiática por maior diversificação de fornecedores e o aumento da importância da Índia como mercado importador, sem reduzir a relevância da China, que permanece como o principal destino do petróleo brasileiro".

Impacto na balança comercial

Com o avanço do preço do barril, o valor exportado do óleo cru subiu de US$ 21,6 bilhões para US$ 27,9 bilhões nos seis primeiros meses de 2026, uma alta de 28%. O petróleo se tornou o segundo item mais exportado da balança comercial em valor, totalizando US$ 15,1 bilhões, atrás apenas da soja, que somou US$ 20,2 bilhões.

A economista Iana Ferrão, do BTG Pactual, destaca que o aumento das exportações contribuiu para o superávit comercial recorde de US$ 8,8 bilhões em junho. A produção brasileira também cresceu: segundo a Agência Nacional de Petróleo (ANP), o país produziu 5,6 milhões de barris por dia em maio, ante 4,7 milhões no mesmo mês do ano anterior.

Novos mercados e projeções

Além dos quatro principais compradores, outros países asiáticos começaram a importar petróleo brasileiro. Mianmar, que não registrava compras neste século, importou 600 mil toneladas. As Filipinas, que não adquiriam o óleo desde 2020, compraram 72 mil toneladas. Emirados Árabes Unidos também aparecem como novos importadores, com 271,6 mil toneladas.

Hamad Hussain, analista da consultoria Capital Economics, avalia que essa tendência deve se intensificar: "É provável que uma parcela significativa dessa oferta adicional seja destinada a compradores na Ásia, onde a demanda por petróleo deverá crescer em ritmo mais acelerado do que na Europa e nos Estados Unidos". A Agência Internacional de Energia (IEA) projeta que a demanda asiática saltará de 38,9 milhões de barris por dia em 2025 para 40,7 milhões em 2030, com a Índia sendo responsável por um aumento de 1 milhão de barris por dia.

Europa também aumenta compras

O crescimento não se restringiu à Ásia. França e Itália também elevaram suas importações de petróleo brasileiro. A França quase triplicou, com alta de 180%, para 1,09 milhão de toneladas, ante 390 mil toneladas no ano anterior. A Itália aumentou em quase 50%, para 930 mil toneladas, comparado a 625,7 mil toneladas em 2025.

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Para Pedro Rodrigues, esse avanço europeu decorre "das condições de mercado, da demanda das refinarias e dos fluxos internacionais de comércio". Enquanto isso, os Estados Unidos, que eram o segundo maior comprador no ano passado, caíram para a terceira posição, com uma redução de 42,8% nas compras, totalizando 2,97 milhões de toneladas.

Bruno Cordeiro, analista da StoneX, ressalta que as tarifas americanas incentivam a venda para a Ásia e União Europeia: "As tarifas geram incerteza regulatória. Quando olhamos os produtores brasileiros, eles preferem ter contratos firmados previsíveis, e isso incentiva a venda para o mercado asiático".