Desaceleração econômica amplia desigualdade no Brasil, aponta coluna
Desaceleração econômica amplia desigualdade no Brasil

A desaceleração da economia brasileira está aprofundando as desigualdades sociais no país, conforme análise da economista Zeina Latif em sua coluna no jornal O Globo. O ritmo mais lento do crescimento econômico, combinado com a inflação persistente e o mercado de trabalho fragilizado, tem impacto desproporcional sobre os segmentos mais vulneráveis da população.

Causas da desaceleração e efeitos na renda

De acordo com a coluna, a economia brasileira enfrenta uma combinação de fatores que contribuem para a desaceleração: juros elevados, incerteza fiscal e o cenário externo adverso. Esses elementos reduzem o investimento e o consumo, afetando diretamente a geração de empregos e a renda das famílias. A economista destaca que, embora o governo tenha implementado programas de transferência de renda, como o Bolsa Família, esses não são suficientes para compensar a perda de dinamismo econômico.

Dados recentes mostram que a taxa de desemprego, embora em queda, ainda atinge cerca de 8% da população economicamente ativa, com maior incidência entre jovens e trabalhadores com menor escolaridade. Além disso, a informalidade segue elevada, atingindo aproximadamente 40% dos ocupados, o que significa menor proteção social e maior vulnerabilidade a choques econômicos.

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Impacto sobre os mais pobres

A coluna ressalta que a inflação, especialmente dos alimentos e dos combustíveis, corrói o poder de compra das famílias de baixa renda, que comprometem grande parte do orçamento com itens essenciais. Com a renda estagnada e os preços em alta, a pobreza e a extrema pobreza tendem a aumentar, revertendo parcialmente os avanços obtidos na última década.

Zeina Latif argumenta que a política econômica precisa priorizar o crescimento sustentável, com reformas estruturais que aumentem a produtividade e a competitividade. Sem isso, o país corre o risco de entrar em um ciclo de baixo crescimento e desigualdade persistente, o que compromete o desenvolvimento social e a estabilidade política.

Medidas necessárias e perspectivas

A economista sugere que o governo adote uma agenda que combine responsabilidade fiscal com investimentos em educação, infraestrutura e inovação. Além disso, é fundamental melhorar a eficiência do gasto público e simplificar o sistema tributário, que hoje penaliza os mais pobres e desestimula o empreendedorismo.

As perspectivas para 2026 não são animadoras. O mercado projeta um crescimento do PIB em torno de 1,5%, insuficiente para gerar empregos em quantidade e qualidade necessárias. A coluna conclui que, sem mudanças significativas na condução da política econômica, a desigualdade deve continuar a crescer, exigindo atenção urgente das autoridades.

Em suma, a desaceleração da economia brasileira não é apenas um problema conjuntural, mas um risco estrutural para a coesão social. A coluna de Zeina Latif serve como um alerta para a necessidade de políticas públicas mais eficazes e de um debate sério sobre o modelo de desenvolvimento do país.

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