Bilionários do Vale do Silício abrem guerra contra taxação de riqueza
Bilionários do Vale do Silício contra taxação de riqueza

Um grupo de bilionários do Vale do Silício está intensificando uma campanha contra a proposta de taxação global de grandes fortunas, defendida por organizações internacionais e alguns governos. A iniciativa, liderada por figuras como o investidor Peter Thiel e o empresário David Sacks, argumenta que o imposto sobre riqueza prejudicaria a inovação e desestimularia investimentos em tecnologia.

Lobby contra o imposto

Segundo documentos obtidos pelo jornal The Washington Post, os bilionários contrataram lobistas e estão fazendo doações para think tanks que produzem estudos contrários à taxação. A campanha inclui artigos de opinião em veículos de imprensa e reuniões com parlamentares nos Estados Unidos e na Europa.

“A taxação de riqueza é uma ideia perigosa que puniria o sucesso e desestimularia a inovação”, disse Peter Thiel em entrevista ao Financial Times. Thiel é cofundador do PayPal e um dos primeiros investidores do Facebook.

Banner largo do Pickt — app de listas de compras colaborativas para Telegram

Proposta em discussão

A taxação global de grandes fortunas ganhou força após estudos do economista Gabriel Zucman, que sugerem que bilionários pagam proporcionalmente menos impostos do que a classe média. A proposta, apoiada pelo G20 e pela ONU, prevê uma alíquota de 2% sobre fortunas acima de US$ 1 bilhão.

De acordo com a Oxfam, os 10 homens mais ricos do mundo viram suas fortunas dobrarem durante a pandemia, enquanto bilhões de pessoas perderam renda. A entidade estima que um imposto de 2% sobre as fortunas dos bilionários poderia arrecadar US$ 250 bilhões por ano, recursos que poderiam ser usados para combater a pobreza e financiar ações climáticas.

Reações contrárias

Críticos da taxação argumentam que ela poderia levar à fuga de capitais e reduzir investimentos em startups. “Muitos bilionários já doam grandes somas para caridade e pagam impostos sobre ganhos de capital. Um imposto sobre riqueza seria uma punição dupla”, afirmou David Sacks, ex-executivo do PayPal.

No entanto, especialistas apontam que a evasão fiscal de grandes fortunas é um problema global. “Os bilionários têm recursos para contratar os melhores contadores e advogados para evitar impostos. Uma taxação coordenada internacionalmente poderia fechar essas brechas”, disse Zucman em entrevista à BBC.

Impacto no Brasil

No Brasil, o debate sobre taxação de grandes fortunas também ganhou espaço. O governo federal estuda a criação de um imposto sobre grandes patrimônios, mas a proposta enfrenta resistência no Congresso. Segundo o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), um imposto de 1% sobre fortunas acima de R$ 10 milhões poderia arrecadar cerca de R$ 40 bilhões por ano.

A campanha dos bilionários do Vale do Silício pode influenciar negociações internacionais, mas defensores da taxação acreditam que a pressão popular por justiça fiscal pode superar o lobby. “A desigualdade extrema é uma ameaça à democracia. Precisamos de um sistema tributário mais justo”, afirmou o economista Thomas Piketty.

Banner pós-artigo do Pickt — app de listas de compras colaborativas com ilustração familiar