IA é usada por terroristas para planejar ataques, aponta relatório
IA é usada por terroristas para planejar ataques

Um relatório da organização Tech Against Terrorism, apoiada pelo escritório de contraterrorismo da ONU, revelou que 32% das solicitações feitas por potenciais extremistas a modelos de inteligência artificial (IA) resultaram em informações utilizáveis para planejar ataques. Quando as perguntas eram reformuladas como pesquisa acadêmica, o índice subia para 42%.

Como o jailbreaking contorna restrições

O método conhecido como "jailbreaking" permite que usuários mal-intencionados burlem as restrições dos chatbots. A OpenAI define a prática como "tentativa de um agente mal-intencionado de induzir o modelo a fornecer conteúdo proibido". Testes realizados por veículos de comunicação mostraram que, com os prompts corretos, é possível obter instruções sobre fabricação de bombas, armas biológicas ou planejamento de atentados.

Uso crescente de IA por grupos extremistas

Nos últimos três ou quatro anos, o principal uso da IA por grupos como Estado Islâmico e Al Qaeda era a produção de propaganda — vídeos, memes e podcasts para radicalizar seguidores. No entanto, o cenário mudou em 2025, com aumento significativo de incidentes em que terroristas usaram IA para planejar, pesquisar e preparar ataques, segundo especialistas da publicação Militant Wire.

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Casos documentados em vários países

Casos foram registrados nos Estados Unidos, Canadá, Israel, Finlândia e Áustria. Embora as agências de segurança raramente divulguem detalhes, processos judiciais e relatórios periciais documentam conversas em que suspeitos pedem instruções para fabricação de bombas ou validação ideológica a modelos de linguagem.

Grupos como JNIM e Estado Islâmico adotam IA

Pesquisadores acreditam que o grupo afiliado à Al-Qaeda no Mali, JNIM, usou IA para modificar drones. Apoiadores do Estado Islâmico e extremistas de direita discutem regularmente o uso de IA em canais do Telegram, compartilhando prompts e coordenando estratégias para obter respostas específicas, além de dividir custos de assinaturas do ChatGPT.

IA como 'instrutor' virtual

O pesquisador Rueben Dass, da Escola de Estudos Internacionais S. Rajaratnam, em Singapura, observa que chatbots passaram a desempenhar o papel de "planejadores virtuais" para lobos solitários. "Até certo ponto, esses atores isolados passaram a recorrer à IA para obter apoio", afirmou.

Adam Hadley, diretor da Tech Against Terrorism, destaca o caráter conversacional dos chatbots: "Uma coisa é encontrar um manual de fabricação de bombas. Outra completamente diferente é ter um instrutor."

Radicalização acelerada

Emily Klein, da organização Moonshot, ressalta que a IA pode acelerar etapas da radicalização ao validar ressentimentos e incentivar crenças violentas. "Não há necessariamente evidências de que a IA esteja criando mais terroristas", diz Klein. "A questão está mais relacionada à forma como a IA interage com as pessoas e influencia o percurso delas rumo à violência."

Informações já disponíveis sem IA

Especialistas destacam que uma pessoa determinada já encontra informações sobre bombas ou armas 3D na internet. No entanto, a IA oferece velocidade e facilidade. "Pessoas que antes não tinham tempo, recursos ou capacidade agora podem avançar muito mais longe e muito mais rápido", afirma Hadley.

Rueben Dass pondera que o uso de IA não garante o sucesso de um atentado, mas a tendência é clara. Hadley alerta que, com a radicalização de adolescentes, "é apenas uma questão de tempo até que os chatbots se tornem uma parte significativa desse problema".

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