HRW acusa EUA de ataque ilegal a três embarcações no Equador
HRW: EUA atacaram três embarcações no Equador ilegalmente

A organização Human Rights Watch (HRW) divulgou um relatório no qual acusa os Estados Unidos de realizarem ataques ilegais contra três embarcações na costa do Equador entre janeiro e março de 2026. As ações fazem parte de uma campanha militar contra o tráfico de drogas, coordenada com o governo equatoriano.

Contexto da campanha antidrogas

O governo do presidente Donald Trump designou, em fevereiro de 2025, diversas facções do crime organizado da América Latina como organizações terroristas. A partir de setembro daquele ano, os EUA iniciaram ataques contra embarcações suspeitas de tráfico de drogas na região do Pacífico. Segundo a HRW, essa política resultou em violações do direito internacional.

O relatório da HRW afirma que os ataques ocorreram sem aviso prévio e resultaram em mortes de civis. Em um dos incidentes, uma embarcação foi bombardeada, matando quatro pessoas. A organização também documentou casos de tortura e detenções arbitrárias durante as operações.

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Acusações e reações

“Os Estados Unidos estão conduzindo uma campanha militar que viola o direito internacional e os direitos humanos”, disse José Miguel Vivanco, diretor da HRW para as Américas. “O Congresso americano deve investigar essas ações e garantir que os responsáveis sejam punidos.”

O governo equatoriano, por sua vez, negou qualquer coordenação com os EUA para os ataques. Em nota oficial, o Ministério das Relações Exteriores do Equador afirmou que “não autorizou nem participou de operações militares estrangeiras em seu território ou águas jurisdicionais”.

Os Estados Unidos negaram envolvimento nos ataques. O Departamento de Estado declarou que “as alegações são infundadas e não há evidências de que forças americanas tenham atacado embarcações na costa do Equador”.

Implicações legais e políticas

A HRW insta o Congresso dos EUA a abrir uma investigação independente sobre os incidentes. A organização também pede que o governo equatoriano coopere com as investigações e garanta a proteção dos direitos humanos em operações conjuntas.

O relatório destaca que a designação de grupos latino-americanos como terroristas ampliou os poderes militares dos EUA na região, permitindo ataques sem aprovação do Congresso. Especialistas em direito internacional apontam que tais ações podem configurar crimes de guerra se não forem justificadas por legítima defesa ou autorização do Conselho de Segurança da ONU.

Até o momento, nenhum país ou organização internacional confirmou os ataques. A ONU ainda não se pronunciou oficialmente sobre o caso.

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