Três petroleiros transportando petróleo da Arábia Saudita mudaram suas rotas no Mar Vermelho após receberem ameaças do grupo houthi do Iêmen, informaram fontes do setor nesta quarta-feira. A medida ocorre em meio ao aumento das tensões na região, que já afeta o comércio marítimo global.
Navios desviam para evitar ataques
Os navios, identificados como M/T Delta, M/T Omega e M/T Sigma, estavam carregados com cerca de 2 milhões de barris de petróleo bruto cada. Eles alteraram suas rotas para o sul, evitando a área próxima ao Estreito de Bab el-Mandeb, onde os houthis têm realizado ataques com drones e mísseis contra embarcações comerciais desde novembro.
De acordo com a empresa de inteligência marítima TankerTrackers.com, os petroleiros estavam navegando em direção ao Canal de Suez quando receberam as ameaças. "As embarcações mudaram de direção repentinamente, indicando que estavam sob risco iminente", disse a empresa em nota.
Impacto no comércio global
A rota do Mar Vermelho é vital para o transporte de petróleo e gás entre o Oriente Médio e a Europa. Cerca de 12% do comércio marítimo global passa pelo Canal de Suez. Analistas alertam que a interrupção prolongada pode elevar os preços do petróleo e atrasar entregas.
"Cada navio que desvia adiciona dias de viagem e custos extras de combustível", afirmou Richard Matthews, analista de logística marítima. "Se a situação se agravar, veremos impactos nos preços dos combustíveis em todo o mundo."
Reação da Arábia Saudita
O governo saudita não comentou oficialmente o incidente, mas fontes diplomáticas indicam que Riad está em contato com a coalizão liderada pelos EUA para garantir a segurança das rotas marítimas. Os houthis, apoiados pelo Irã, intensificaram os ataques em solidariedade aos palestinos na guerra em Gaza.
Em comunicado, os houthis afirmaram que continuarão a atacar navios com destino a Israel ou de empresas israelenses, mas não mencionaram diretamente a Arábia Saudita. No entanto, os petroleiros sauditas foram alvo devido à proximidade do reino com os EUA e Israel.
Consequências econômicas
O custo do seguro para navios que transitam pelo Mar Vermelho já aumentou em 50% desde o início dos ataques, segundo a Associação de Seguradoras Marítimas. Além disso, várias companhias de navegação, como a Maersk e a Hapag-Lloyd, já desviam seus navios pela rota do Cabo da Boa Esperança, na África do Sul, o que acrescenta até 10 dias de viagem.
"Estamos monitorando a situação de perto e ajustando nossas rotas conforme necessário para garantir a segurança das tripulações e cargas", disse um porta-voz da Maersk.



