O Japão informou que um destróier chinês realizou um exercício de tiro real em sua Zona Econômica Exclusiva (ZEE), marcando a primeira vez que Pequim realiza tal treinamento dentro dessa área. O navio, um contratorpedeiro de mísseis guiados da classe Luyang III, foi observado a aproximadamente 180 quilômetros a sudoeste da Ilha Okinotori, o território mais meridional do Japão.
Detalhes da operação
Segundo o Ministério da Defesa do Japão, o exercício ocorreu durante manobras conjuntas com a Rússia. Imagens divulgadas pela pasta mostram o destróier chinês e uma fragata russa realizando disparos. A ação foi classificada como “extremamente lamentável” pelo governo japonês, que protestou formalmente junto a Pequim.
O exercício de tiro real em águas onde o Japão exerce direitos soberanos sobre recursos econômicos é visto como uma escalada nas tensões entre os dois países, já elevadas por disputas territoriais no Mar da China Oriental e declarações políticas recentes.
Reação do Japão e implicações
O governo japonês convocou o embaixador chinês para apresentar uma queixa oficial. “Esta é a primeira vez que a China realiza um exercício de tiro real em nossa ZEE, o que é inaceitável”, afirmou um porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Japão. A ação também levanta preocupações sobre a segurança regional e a liberdade de navegação.
Especialistas apontam que o movimento pode estar ligado à crescente assertividade militar chinesa na região do Indo-Pacífico. A Ilha Okinotori, um recife de coral que o Japão considera como ilha, é objeto de controvérsia, pois a China o classifica como rocha, o que afetaria os limites da ZEE japonesa.
Contexto geopolítico
As manobras conjuntas entre China e Rússia ocorrem em um momento de estreitamento dos laços militares entre os dois países, enquanto ambos enfrentam sanções e pressão ocidentais. O Japão, aliado dos Estados Unidos, tem reforçado sua postura de defesa e criticado ações unilaterais que desafiam a ordem internacional baseada em regras.



