O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, prometeu nesta terça-feira, 21 de julho, entregar dez mil casas para as vítimas do terremoto de magnitude 7,3 que devastou regiões do país na última segunda-feira. O anúncio foi feito durante uma visita à área mais afetada, no estado de Sucre, onde o presidente afirmou que o governo iniciará imediatamente a construção das moradias temporárias e permanentes.
Detalhes da promessa e impacto do desastre
Segundo Maduro, as primeiras unidades serão erguidas em até 90 dias, com prioridade para famílias que perderam totalmente suas residências. O terremoto, que teve epicentro a 20 km de Carúpano, deixou ao menos 15 mortos e mais de 500 feridos, além de danificar cerca de 3 mil imóveis, de acordo com balanço oficial da Defesa Civil.
“Vamos construir dez mil casas dignas para nosso povo. Não descansaremos até que cada família tenha um teto”, declarou o presidente, em discurso transmitido pela televisão estatal. A promessa, no entanto, ocorre em meio à grave crise econômica que atinge o país, com inflação anual superior a 1.000% e escassez de materiais de construção.
Reações e desafios logísticos
Especialistas apontam que a meta pode ser difícil de cumprir. O engenheiro civil José Rodríguez, da Universidade Central da Venezuela, afirmou que “a capacidade de produção de cimento e aço está muito reduzida. Sem investimento externo, será quase impossível construir nesse volume em curto prazo”.
Organizações não governamentais, como a Cruz Vermelha Venezuelana, já iniciaram a distribuição de alimentos e kits de higiene para os desabrigados. Até o momento, cerca de 2 mil pessoas estão em abrigos improvisados em escolas e ginásios.
A promessa de Maduro ocorre a menos de seis meses das eleições presidenciais, nas quais ele busca a reeleição. Analistas políticos veem a medida como uma tentativa de recuperar popularidade, abalada pela crise econômica e pela pandemia de Covid-19.



