Os protestos de jovens indianos em Nova Délhi continuam nesta terça-feira (21), um dia após confrontos com a polícia deixarem pelo menos 12 feridos. Os manifestantes exigem uma investigação independente sobre o suposto vazamento de provas de um concurso público para recrutamento de funcionários federais.
Confrontos e feridos
Na segunda-feira (20), milhares de jovens se reuniram próximo ao Parlamento indiano, em Nova Délhi, para protestar contra o vazamento de questões do exame de admissão para cargos públicos. A polícia usou gás lacrimogêneo e jatos d'água para dispersar a multidão, resultando em 12 feridos, entre manifestantes e policiais. Segundo a agência de notícias Press Trust of India, seis manifestantes e seis policiais foram hospitalizados com ferimentos leves.
Reivindicações dos manifestantes
Os jovens pedem a anulação do exame realizado em junho e a realização de um novo concurso, além da punição dos responsáveis pelo vazamento. O movimento, liderado por grupos estudantis e associações de candidatos, ganhou força nas redes sociais. "Queremos transparência e justiça. Não aceitaremos uma investigação conduzida pelos mesmos órgãos que permitiram o vazamento", disse Ravi Sharma, um dos organizadores do protesto, em entrevista à Reuters.
Reação do governo
O governo indiano, por meio do Ministério do Interior, informou que já abriu uma investigação sobre o caso e que tomará medidas cabíveis. No entanto, os manifestantes consideram a resposta insuficiente. "O governo não pode simplesmente ignorar a voz de milhões de jovens que sonham com um emprego público", afirmou Priya Singh, manifestante de 24 anos.
Contexto do concurso
O concurso em questão é um dos mais concorridos da Índia, com mais de 10 milhões de inscritos para cerca de 100 mil vagas. As provas ocorreram em junho, mas relatos de vazamento de questões surgiram nas redes sociais dias antes do exame. A Comissão de Serviços Públicos da União (UPSC), responsável pelo concurso, nega qualquer irregularidade.
Impacto político
Os protestos ocorrem em um momento de tensão política na Índia, com eleições estaduais previstas para os próximos meses. Analistas apontam que o movimento pode influenciar o cenário eleitoral, especialmente entre os jovens eleitores. "O governo precisa lidar com essa crise de credibilidade. Caso contrário, pode perder o apoio da juventude", avaliou o cientista político Amit Kumar, da Universidade de Délhi.



