A agência de classificação de risco Moody's elevou a nota soberana da Argentina, sinalizando melhora nas perspectivas econômicas do país e dando novo impulso aos planos do presidente Javier Milei. A decisão foi anunciada nesta quarta-feira (22) e reflete avanços na política fiscal e no mercado de capitais argentino.
Detalhes da elevação
A Moody's subiu a nota da Argentina de 'Ca' para 'Caa1', com perspectiva estável. A agência destacou a redução do déficit fiscal e a melhora na capacidade de pagamento da dívida externa. Segundo comunicado, as reformas implementadas pelo governo Milei têm contribuído para a estabilização macroeconômica.
"A elevação reflete o progresso significativo na consolidação fiscal e na normalização dos mercados financeiros", afirmou a Moody's em nota. A agência também mencionou a queda da inflação e o aumento das reservas internacionais como fatores positivos.
Impacto nos planos de Milei
A medida é vista como um voto de confiança nas políticas de austeridade e desregulamentação promovidas por Milei desde que assumiu a presidência. O governo argentino espera que a melhora na nota soberana facilite o acesso a financiamento externo e reduza os custos de captação.
O ministro da Economia, Luis Caputo, celebrou a decisão: "É um reconhecimento internacional de que estamos no caminho certo. A Argentina está se tornando um país confiável para investidores".
Reações do mercado
Os mercados financeiros reagiram positivamente. O índice S&P Merval subiu 2,3% no dia, enquanto os títulos da dívida argentina registraram alta de até 1,5%. Analistas apontam que a elevação pode abrir caminho para uma futura reclassificação para grau de investimento, embora ainda haja desafios significativos.
"É um passo importante, mas a Argentina ainda precisa enfrentar a inflação alta e a pobreza persistente", alertou o economista Pedro Lacoste, da consultoria Econométrica. "A Moody's deixou claro que a perspectiva estável depende da continuidade das reformas."
Contexto econômico
A Argentina vive uma crise econômica severa, com inflação anual acima de 200% e mais de 40% da população abaixo da linha da pobreza. Milei, que assumiu em dezembro de 2023, implementou um pacote de medidas de choque, incluindo corte de gastos públicos, privatizações e desregulamentação da economia.
A Moody's é a primeira grande agência a elevar a nota da Argentina desde a posse de Milei. A Standard & Poor's e a Fitch ainda mantêm ratings baixos para o país, mas analistas esperam que possam seguir o movimento.



