O Irã apresentou a Omã uma proposta para estabelecer um controle conjunto sobre os navios que atravessam o Estreito de Ormuz, rota vital por onde escoa cerca de 20% do petróleo consumido no mundo. A informação foi divulgada por autoridades iranianas e omanenses nesta terça-feira, 4 de agosto, em Teerã.
Detalhes da proposta iraniana
Segundo o ministro das Relações Exteriores do Irã, Hossein Amir-Abdollahian, o plano prevê a criação de um mecanismo de supervisão e inspeção de embarcações que passam pelo estreito, em parceria com a marinha de Omã. A proposta inclui a troca de informações em tempo real e a realização de patrulhas conjuntas.
O chanceler iraniano afirmou que a medida visa "garantir a segurança e a estabilidade na região", mas analistas veem com preocupação, pois pode representar uma tentativa de Teerã de expandir sua influência sobre o tráfego marítimo internacional.
Reação de Omã
O governo de Omã confirmou ter recebido a proposta e disse que está avaliando o assunto. O ministro das Relações Exteriores de Omã, Sayyid Badr Albusaidi, declarou que "Omã sempre defendeu a liberdade de navegação e o diálogo entre as nações" e que qualquer acordo deve respeitar o direito internacional.
Omã mantém tradicionalmente uma posição neutra no Golfo Pérsico, servindo como mediador entre o Irã e as monarquias do Golfo, bem como entre o Irã e os Estados Unidos.
Impacto no mercado de petróleo
O Estreito de Ormuz é considerado o ponto mais estratégico do mundo para o fornecimento de energia. Cerca de 20 milhões de barris de petróleo por dia passam pelo local, o que equivale a aproximadamente 20% do consumo global. Qualquer ameaça à navegação no estreito pode provocar oscilações nos preços do petróleo e impactar a economia mundial.
Especialistas em segurança energética alertam que a proposta iraniana pode ser vista como uma provocação aos Estados Unidos e a outros países que dependem da livre navegação. Os EUA mantêm uma frota naval na região, com base no Bahrein, para garantir a segurança do tráfego.
Contexto de tensões regionais
Nos últimos anos, o Irã tem intensificado suas atividades no Golfo, incluindo a apreensão de navios petroleiros em meio a disputas com o Ocidente. Em 2019, o país chegou a ser acusado de ataques a navios na região, o que elevou a tensão com os EUA.
Em 2023, o Irã e a Arábia Saudita retomaram relações diplomáticas, com mediação da China, mas as tensões com Israel e os EUA permanecem altas. A proposta de controle conjunto com Omã surge em um momento em que o Irã busca reforçar sua posição nas negociações nucleares, que estão em compasso de espera.
Próximos passos
Autoridades iranianas afirmam que aguardam uma resposta de Omã para dar continuidade ao plano. O assunto também deve ser discutido em fóruns internacionais, como a ONU, onde a liberdade de navegação é garantida por tratados.
Enquanto isso, empresas de navegação e seguradoras monitoram a situação, avaliando os riscos para os navios que operam na região. A proposta iraniana, se concretizada, pode alterar significativamente o equilíbrio de forças no Golfo Pérsico.



