Ceuta reforça alerta após convocação de nova travessia em massa
Ceuta reforça alerta após convocação de travessia em massa

As autoridades espanholas reforçaram o alerta na cidade autônoma de Ceuta, no norte da África, depois que redes sociais convocaram uma nova travessia em massa de migrantes para meados de agosto. A informação foi divulgada nesta quarta-feira, 4 de agosto, pelo governo local, que já mobilizou efetivos adicionais da polícia e da guarda civil para evitar uma nova crise migratória como a registrada em maio de 2021.

Convocatória nas redes sociais

Segundo o governo de Ceuta, as mensagens nas redes sociais, especialmente no WhatsApp e no Facebook, convocam centenas de jovens marroquinos a tentar entrar na cidade por mar, nadando ou utilizando pequenas embarcações, em uma ação coordenada para o dia 15 de agosto. As publicações, que circulam desde o fim de julho, prometem 'uma nova oportunidade' e citam supostas facilidades na fronteira.

A delegação do governo em Ceuta informou que está em contato permanente com as autoridades marroquinas, que já reforçaram o patrulhamento no lado marroquino da fronteira. 'Estamos trabalhando de forma coordenada com Marrocos para impedir qualquer tentativa de entrada irregular em massa', afirmou o delegado do governo, Rafael García, em entrevista coletiva.

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Antecedentes: a crise de maio de 2021

Em maio de 2021, cerca de 8.000 migrantes, a maioria jovens marroquinos, entraram em Ceuta em um único dia, aproveitando a ausência de controle das autoridades marroquinas, em um momento de tensão diplomática entre Espanha e Marrocos. Na ocasião, muitos atravessaram a nado ou por terra, enquanto outros utilizaram botes infláveis. O governo espanhol teve que montar um dispositivo de emergência e devolver a maioria dos migrantes ao Marrocos, em uma operação que gerou críticas de organizações de direitos humanos.

Desde então, as autoridades espanholas e marroquinas aumentaram a vigilância na fronteira, mas as convocatórias em massa nas redes sociais continuam sendo um desafio. 'As redes sociais são um instrumento poderoso para organizar esse tipo de movimento, e precisamos estar preparados para responder rapidamente', explicou García.

Medidas de segurança adicionais

Nesta semana, o governo de Ceuta ativou o nível 2 do plano de segurança fronteiriça, que prevê o reforço de efetivos policiais, o uso de drones e câmeras térmicas, e o aumento do patrulhamento marítimo. Também foram instaladas barreiras adicionais em pontos considerados críticos, como a praia de Tarajal e o perímetro do posto fronteiriço do Tarajal.

A Guardia Civil e a Polícia Nacional realizaram exercícios simulados nesta terça-feira, 3 de agosto, para testar a resposta a uma possível avalanche de migrantes. 'Estamos prontos para agir com firmeza, mas também com respeito aos direitos humanos', afirmou o coronel da Guardia Civil, Miguel Ángel Gómez.

Impacto na cidade e na relação com Marrocos

A possibilidade de uma nova travessia em massa preocupa os moradores de Ceuta, que tem cerca de 85.000 habitantes. Muitos temem novos danos à infraestrutura e à convivência, como ocorreu em 2021, quando houve saques e confrontos com a polícia. 'Não queremos repetir o que aconteceu. A cidade não aguenta outra crise dessas', disse a comerciante local, María López, em declaração à imprensa local.

Além disso, a situação pode afetar as relações entre Espanha e Marrocos, que já foram marcadas por tensões devido à questão do Saara Ocidental e à imigração. Nos últimos meses, os dois países têm trabalhado em uma agenda de cooperação, mas episódios como esse podem gerar recuos. 'O governo espanhol está monitorando a situação e mantém canais de diálogo com Rabat', destacou o ministro do Interior, Fernando Grande-Marlaska, em comunicado.

Números e estatísticas

De acordo com dados do Ministério do Interior espanhol, em 2023, as entradas irregulares por Ceuta e Melilla caíram 42% em relação ao ano anterior, graças à cooperação com Marrocos. No entanto, nos primeiros seis meses de 2024, houve um aumento de 15% nas tentativas de entrada, o que acendeu o alerta. As autoridades não divulgaram números específicos sobre a convocação para agosto, mas estimam que centenas de pessoas possam ser influenciadas.

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Especialistas em migração apontam que as redes sociais se tornaram o principal canal de mobilização, superando os coiotes e as redes de tráfico. 'As convocatórias em massa são um fenômeno novo, que exige uma resposta integrada entre segurança e políticas sociais', analisa a socióloga Carmen Pérez, da Universidade de Cádiz.

Próximos passos

O governo de Ceuta anunciou que vai manter o nível de alerta até o fim de agosto, com reforço de efetivos nas zonas de risco. Também planeja lançar uma campanha de conscientização nas redes sociais, em parceria com o governo marroquino, para desencorajar as travessias perigosas. 'Vamos usar as mesmas ferramentas para transmitir uma mensagem de segurança e legalidade', afirmou García.

A situação será reavaliada na próxima semana, em uma reunião entre as autoridades espanholas e marroquinas, que deve definir novas medidas conjuntas. Enquanto isso, a comunidade internacional observa com atenção, pois Ceuta e Melilla são as únicas fronteiras terrestres da União Europeia na África, e qualquer crise migratória tem impacto direto no bloco.