Inflação deve ajudar Copom a cortar Selic a 14%; será o último corte do ano?
Inflação deve ajudar Copom a cortar Selic a 14%; último corte?

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central deve reduzir a taxa Selic para 14% ao ano na próxima reunião, marcada para os dias 16 e 17 de agosto. A decisão, amplamente esperada pelo mercado, será influenciada pela trajetória benigna da inflação, que tem surpreendido para baixo nas últimas semanas. A dúvida que paira entre os investidores é se este será o último corte do ano ou se haverá espaço para novas reduções.

Contexto econômico e expectativas

O movimento de queda da Selic, que começou em junho com um corte de 0,5 ponto percentual, para 14,25%, ganhou força com a desaceleração dos índices de preços. O IPCA-15 de julho, divulgado recentemente, veio abaixo das projeções, reforçando a tese de que a inflação está convergindo para a meta. Segundo analistas, o Copom deve cortar 0,25 ponto percentual, levando a taxa para 14%, mas há quem aposte em uma redução maior, de 0,5 ponto.

"A inflação corrente está bastante favorável, e o Copom tem espaço para acelerar o ritmo de cortes", afirma Carlos Lopes, economista-chefe de uma corretora paulista. "No entanto, a comunicação do Banco Central deve ser cautelosa, pois as expectativas para 2023 ainda estão acima da meta."

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Impacto nos mercados e na economia real

Um corte para 14% teria efeitos imediatos nos mercados financeiros, com queda esperada nos juros futuros e possível alta na Bolsa. Para as empresas, a redução dos juros alivia o custo do crédito e pode estimular investimentos. No entanto, o impacto na economia real deve ser gradual, já que a taxa ainda permanece em patamar elevado.

"A queda da Selic é bem-vinda, mas não resolve os problemas estruturais de crédito no Brasil", pondera Marina Silva, professora de economia da FGV. "É preciso que os bancos repassem a redução aos consumidores, o que nem sempre acontece."

Perspectivas para o restante do ano

A grande questão é se o Copom continuará cortando os juros nas próximas reuniões. O mercado projeta uma Selic em torno de 13% no fim de 2022, mas isso dependerá da evolução da inflação e do cenário fiscal. Com as eleições se aproximando, o governo pode aumentar os gastos, o que pressionaria os preços e limitaria o espaço para novos cortes.

"O Copom deve adotar uma postura cautelosa, aguardando os dados de agosto e setembro antes de sinalizar novos passos", diz Lopes. "Se a inflação continuar surpreendendo para baixo, é possível que tenhamos mais um corte em setembro, mas não há garantias."

Reações e recomendações

Para os investidores, a recomendação é manter a cautela e diversificar a carteira, aproveitando as oportunidades que surgem com a queda dos juros. A renda variável tende a se beneficiar, especialmente setores como varejo e construção civil, que são mais sensíveis ao crédito.

"A queda da Selic é um sinal positivo para a Bolsa, mas é preciso escolher bem os papéis", orienta a professora Marina. "Empresas com endividamento alto podem se beneficiar, mas é importante analisar a saúde financeira de cada uma."

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