FMI eleva previsão de crescimento do PIB brasileiro para 2,4% em 2026
FMI eleva previsão de PIB do Brasil para 2,4% em 2026

O Fundo Monetário Internacional (FMI) revisou para cima a projeção de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro em 2026, de 1,9% para 2,4%, conforme o relatório World Economic Outlook divulgado recentemente. A informação foi publicada pela Folha de S. Paulo em 9 de julho de 2026. Essa taxa supera as estimativas do Ministério da Fazenda, que em maio previa expansão de 2,3%, e do Banco Central, que estimava 2,0%.

Razões da revisão não são esclarecidas

Nem a Folha de S. Paulo nem o Valor Econômico, que também cobriu o assunto, explicaram os motivos por trás da nova previsão do FMI para o Brasil. Apesar do otimismo do fundo, todas essas taxas são consideradas medíocres. Para que o Brasil supere o baixo crescimento que persiste desde 1980, seria necessário expandir o PIB em pelo menos 4% ao ano.

Investimento insuficiente

Para alcançar esse patamar, o país precisaria investir anualmente cerca de 25% do PIB em formação de capital — incluindo fábricas, fazendas, portos, escolas, estradas e hospitais. No entanto, o investimento atual é de apenas 16% do PIB, segundo dados recentes. Em contraste, a China, durante seu período de maior crescimento, chegou a investir 40% do PIB. A queda nos investimentos públicos é ainda mais acentuada, já que o governo prioriza programas sociais e, por razões eleitorais, evita reformas estruturais, como a da Previdência Social, cujos gastos continuam crescendo.

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Falta de prioridade política

Governantes e parlamentares não demonstram preocupação com o baixo crescimento. O presidente Lula foca na reeleição, enquanto os parlamentares federais se dedicam prioritariamente a emendas. A sociedade também não mostra grande interesse pelo tema, talvez por não compreender sua importância, o que explica a falta de cobrança aos políticos. Já os empresários têm condições de se organizar para exigir medidas do Executivo e do Legislativo.

Perspectivas globais e riscos

Para 2026, o FMI prevê crescimento de 3% para a economia mundial, ligeiramente abaixo da projeção anterior de 3,1%, mas ainda superior ao do Brasil. Essa diferença, que se mantém há tempos, faz com que o país perda participação relativa na economia global. Segundo a Folha de S. Paulo, o fundo alerta que “uma reescalada das tensões geopolíticas prejudicaria o crescimento e agravaria as pressões inflacionárias”. Também há riscos para a segurança alimentar caso haja interrupções nos mercados de fertilizantes e energia.

Comércio global e impacto da guerra

O crescimento do comércio global deve desacelerar em 2026, de 5% em 2025 para 3,5%, reflexo da antecipação de compras devido à política tarifária do presidente dos EUA, Donald Trump. A previsão é de recuperação em 2027, com alta de 4,3%. Países produtores de petróleo no Oriente Médio foram os mais atingidos pela guerra e devem enfrentar fortes contrações. Nações consumidoras de energia também sofrem com preços mais altos do petróleo.

IA compensa impactos da guerra

O Valor Econômico destacou que o FMI manteve quase inalterada a previsão para a economia mundial, afirmando que o “boom da inteligência artificial (IA) está ajudando a compensar os impactos da guerra no Oriente Médio. No entanto, uma retomada do conflito poderá elevar a inflação, com efeitos sobre a atividade econômica e os mercados financeiros.” O fundo acrescentou: “As perspectivas estão sendo moldadas por duas grandes forças, que atuam em direções opostas e produzem efeitos assimétricos entre os países”, referindo-se ao conflito e ao ciclo tecnológico da IA. Até agora, a economia global resistiu ao choque da guerra melhor do que se temia.

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Necessidade de debate eleitoral

Com a campanha eleitoral se aproximando, os candidatos, especialmente à Presidência, deveriam ser questionados sobre como pretendem enfrentar o baixo crescimento. Em geral, eles escapam do assunto ou respondem de forma insatisfatória. A imprensa tem um papel crucial nessa cobrança. O baixo crescimento não é uma questão menor: se fosse superado, seria mais fácil resolver problemas como baixa renda e desemprego, além de gerar mais recursos para programas sociais. O autor do artigo, beneficiado pelo crescimento econômico das décadas de 1960 e 1970, lamenta as dificuldades enfrentadas pelos jovens atualmente e promete continuar escrevendo sobre o tema.