Fazenda mantém PIB de 2026 em 2,3% e reduz para 2,5% em 2027
Fazenda mantém PIB de 2026 em 2,3% e reduz para 2,5% em 2027

O Ministério da Fazenda divulgou nesta segunda-feira (10) as novas projeções para o Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil, mantendo a estimativa de crescimento de 2,3% para 2026 e reduzindo a previsão de 2027 de 2,6% para 2,5%. A pasta também informou que, no período de 2027 a 2030, a expectativa é de uma expansão média de 2,6% ao ano, sustentada por uma trajetória de taxa Selic mais elevada ao longo de todo o horizonte relevante.

Detalhamento das projeções

De acordo com o boletim de parâmetros macroeconômicos divulgado pela Secretaria de Política Econômica (SPE), a revisão para baixo em 2027 reflete ajustes nas expectativas de crescimento global e nos impactos da política monetária doméstica. A estimativa para 2026 permanece inalterada em 2,3%, enquanto para 2025 a projeção é de 2,5%. A média de 2,6% entre 2027 e 2030 considera um cenário de juros básicos (Selic) mais altos, o que tende a conter a inflação, mas também pode limitar o crescimento econômico.

Impacto da política monetária

O ministério destacou que a manutenção de uma Selic elevada por mais tempo é necessária para ancorar as expectativas inflacionárias e garantir a convergência da inflação para a meta. No entanto, isso também implica em custos maiores de financiamento para empresas e consumidores, o que pode desacelerar a atividade econômica. A SPE ressaltou que as projeções consideram a implementação gradual da reforma tributária, que deve simplificar o sistema e reduzir custos de compliance, mas cujos efeitos positivos sobre o PIB devem se concretizar apenas no médio prazo.

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Contexto da reforma tributária

A reforma tributária, em tramitação no Congresso Nacional, é apontada como um dos pilares para o crescimento sustentável. Segundo a pasta, a aprovação da reforma pode elevar o PIB potencial do país em até 0,5 ponto percentual ao ano a partir de 2028. No entanto, a incerteza quanto ao cronograma de implementação e aos detalhes da regulamentação ainda gera cautela entre os agentes econômicos.

Comparação com projeções anteriores

Em relação ao boletim anterior, divulgado em março, a principal mudança foi a redução da previsão para 2027, que caiu de 2,6% para 2,5%. As demais projeções permaneceram estáveis. A SPE também manteve a estimativa de crescimento para 2024 em 2,9%, conforme dados do IBGE.

Reações do mercado

O mercado financeiro, por sua vez, tem expectativas mais modestas. Pesquisa Focus do Banco Central indica que a mediana das projeções para o PIB de 2026 é de 2,0%, abaixo do número oficial. Analistas apontam que a diferença se deve a uma visão mais pessimista sobre o ritmo de investimentos e o consumo das famílias.

Conclusão

As novas projeções do Ministério da Fazenda reforçam a estratégia de manter a política monetária contracionista para controlar a inflação, mesmo que isso signifique um crescimento econômico mais moderado nos próximos anos. A expectativa é que a reforma tributária e a redução gradual da Selic, prevista para 2025, possam impulsionar a atividade econômica a partir de 2027.

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