A arrecadação do governo federal registrou alta de 7,7% em junho de 2026, comparada ao mesmo mês do ano anterior, impulsionada principalmente pelo aumento das receitas provenientes do setor de petróleo. O dado, divulgado pela Receita Federal, surpreendeu analistas que esperavam um crescimento mais modesto.
Desempenho do mês
Em valores absolutos, a arrecadação totalizou R$ 180 bilhões em junho, contra R$ 167 bilhões no mesmo período de 2025. O segmento de petróleo e derivados contribuiu com um incremento de 12%, reflexo da elevação dos preços internacionais e do aumento da produção nacional.
O secretário da Receita Federal, José Barroso, atribuiu o resultado positivo à recuperação dos preços do barril, que passou de US$ 75 para US$ 85 em média no mês. “A arrecadação de junho mostra a resiliência da economia e a importância do setor petrolífero para as contas públicas”, afirmou Barroso.
Impacto nas contas públicas
A alta da arrecadação traz alívio para o governo, que busca cumprir a meta fiscal de déficit zero em 2026. Especialistas, no entanto, alertam que a dependência do petróleo pode ser volátil. O economista Marcos Mendes, do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), destacou que “o crescimento é bem-vindo, mas não resolve problemas estruturais”.
Outros setores também contribuíram, como serviços e comércio, com altas de 3% e 2%, respectivamente. A arrecadação de impostos federais, como IRPJ e CSLL, avançou 4,5%, impulsionada pelo lucro das empresas.
Previsões e desafios
O Ministério da Fazenda espera que a arrecadação total em 2026 cresça 6% em relação ao ano anterior, mas alerta para riscos externos, como a desaceleração da economia global. A guerra no Oriente Médio e as sanções ao Irã podem elevar ainda mais os preços do petróleo, beneficiando o Brasil.
No acumulado do primeiro semestre, a arrecadação somou R$ 1,1 trilhão, alta de 5,5% sobre igual período de 2025. O governo Lula comemorou o resultado, mas enfatizou a necessidade de reformas para sustentar o crescimento.



