Confiança de serviços no Brasil tem maior queda em quase quatro anos, diz FGV
Queda recorde na confiança de serviços em julho, aponta FGV

O Índice de Confiança de Serviços (ICS) da Fundação Getulio Vargas (FGV) registrou em julho a queda mais forte em quase quatro anos. O recuo foi impulsionado por incertezas na economia, originadas principalmente por turbulências externas, como o aumento de tarifas pelo governo dos Estados Unidos.

Detalhes da queda

O ICS caiu 4,1 pontos em julho na comparação com junho, atingindo 94,8 pontos. Trata-se da maior retração mensal desde setembro de 2020, quando o índice despencou 6,2 pontos durante a pandemia. O resultado surpreendeu analistas, que esperavam uma queda menos acentuada.

Segundo Stéfano Pacini, economista da FGV, "o ambiente de negócios no setor de serviços foi fortemente afetado pela percepção de maior risco externo, especialmente com as ameaças de novas tarifas comerciais dos Estados Unidos e a volatilidade nos mercados financeiros".

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Impactos nos subindicadores

Dos três subindicadores do ICS, dois caíram em julho: o Índice de Situação Atual (ISA-S) recuou 3,6 pontos, para 96,9 pontos, e o Índice de Expectativas (IE-S) caiu 4,5 pontos, para 92,7 pontos. O Índice de Investimento (II-S) teve ligeira alta de 0,2 ponto, mas não foi suficiente para compensar as perdas.

A piora das expectativas indica que os empresários estão menos otimistas com os próximos meses. "A incerteza sobre a política comercial americana e seus desdobramentos na economia global geram cautela entre os investidores e consumidores, refletindo diretamente na confiança dos prestadores de serviços", explicou Pacini.

Comparação com outros setores

O resultado do setor de serviços contrasta com outros indicadores da economia brasileira, que vinham mostrando resiliência. Enquanto a indústria e o comércio apresentaram leves altas na confiança em julho, o setor de serviços, que responde por cerca de 70% do PIB nacional, foi o mais atingido pelas incertezas externas.

"O setor de serviços é mais sensível a choques externos porque depende fortemente da demanda interna e das condições de crédito. A desvalorização do real e a alta dos juros futuros também contribuíram para o pessimismo", afirmou o economista.

Perspectivas futuras

Para os próximos meses, a FGV prevê que a confiança do setor de serviços deve continuar volátil, dependendo do desenrolar das negociações comerciais entre Estados Unidos e China, bem como das decisões de política monetária no Brasil. "Se as tensões comerciais se intensificarem, podemos ver novas quedas na confiança, com impactos negativos no investimento e no emprego no setor", concluiu Pacini.

O ICS é calculado com base em pesquisa mensal com cerca de 1.500 empresas prestadoras de serviços em todo o país. A coleta de dados para julho foi realizada entre os dias 1º e 20 do mês.

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