Vale a pena comprar ações com juro real acima de 8%? XP responde
XP diz que sim: ações ainda valem a pena com juro real alto

XP vê oportunidades na Bolsa apesar dos juros altos

A XP Investimentos publicou recentemente uma análise sobre a atratividade das ações brasileiras em um cenário de juro real acima de 8%. Segundo a corretora, a resposta é sim: ainda vale a pena comprar ações, mas com seletividade.

Em relatório que circula no mercado, a XP explicou que, mesmo com o juro real em patamar superior a 8%, existem boas oportunidades na B3. O ponto de partida é a avaliação de que boa parte do pessimismo já está precificada nos papéis. Os múltiplos de lucro estão em níveis abaixo da média histórica para várias empresas de qualidade.

O cenário de juros e o impacto na renda variável

O juro real é obtido descontando-se a inflação projetada da taxa nominal. No Brasil, a Selic nominal está em dois dígitos, enquanto a expectativa de inflação para os próximos 12 meses gira em torno de 4% a 5%. Com isso, o juro real supera 8%, um dos maiores do planeta.

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Nesse contexto, a renda fixa oferece ganhos nominais elevados, com risco baixo. No entanto, a XP argumenta que o investidor pode estar abrindo mão de uma valorização expressiva da Bolsa ao permanecer apenas em títulos conservadores.

A corretora lembra que, historicamente, a B3 tem mostrado que, após períodos de juros muito altos, o retorno seguinte das ações é superior à média. Isso ocorre porque as empresas se ajustam ao novo ambiente e as expectativas se normalizam.

Os argumentos da XP para comprar ações

O argumento central da XP é que o custo do capital elevado já está embutido nas cotações. Assim, quem compra agora pode se beneficiar de uma eventual correção de preços quando o ciclo de juros começar a reverter. A XP lembra que a renda variável, no longo prazo, tende a oferecer retorno superior à renda fixa, mesmo considerando a alta taxa real atual.

Um indicador utilizado pela XP é o earnings yield, que representa o lucro por ação dividido pelo preço. Quando esse indicador está acima do juro real, a ação é considerada barata. No Brasil, esse indicador supera a taxa real em diversos casos, o que indica potencial de retorno.

Além disso, a análise aponta que empresas com baixo endividamento, boa geração de caixa e poder de repasse de preços conseguem manter a rentabilidade mesmo em um ambiente macroeconômico adverso. Setores como energia, saneamento e tecnologia são citados como exemplos de resiliência.

A recomendação da XP também considera o cenário externo. Com a proximidade de um ciclo de corte de juros nos Estados Unidos, o diferencial de juros entre Brasil e exterior tende a diminuir, o que favorece a entrada de capital estrangeiro na renda variável local. Esse movimento já começa a ser observado nos fluxos recentes.

Riscos e ressalvas

A própria XP reconhece que o cenário é desafiador. O risco fiscal, as incertezas políticas e a possibilidade de uma recessão global são fatores que podem pressionar a Bolsa no curto prazo. Por isso, a recomendação é seletiva: não se trata de uma compra generalizada, mas de uma escolha criteriosa de ações.

O investidor também precisa estar atento à sua tolerância a risco. Ações são ativos voláteis, e oscilações de 10% a 20% são comuns. A XP sugere que o aporte seja planejado, com horizonte de pelo menos cinco anos.

No cenário doméstico, a queda da inflação abre espaço para uma política monetária menos restritiva no futuro. Se a Selic começar a recuar, o juro real também cairá, tornando as ações relativamente mais atraentes na comparação com a renda fixa.

Ao comprar um título público prefixado, o investidor carrega o papel até o vencimento e recebe uma taxa conhecida. Já na Bolsa, não há garantia. A XP reconhece que a renda fixa pode ser mais adequada para objetivos de curto prazo, mas para a formação de patrimônio de longo prazo, as ações ainda têm espaço.

Conclusão

A XP conclui que, para quem tem perfil adequado, a Bolsa ainda pode oferecer retornos reais interessantes. A chave está na seleção de ativos e na paciência. Investidores que conseguem ignorar o ruído de curto prazo e manter o foco no longo prazo tendem a ser recompensados.

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Em resumo: o juro real acima de 8% não é, para a XP, um impeditivo para investir em ações brasileiras. Pelo contrário, pode ser visto como uma oportunidade para comprar bons ativos a preços descontados. Mas a recomendação exige atenção aos fundamentos de cada companhia e à diversificação da carteira.

A mensagem final da XP é que o atual momento de juros altos não deve ser encarado como um bloqueio, mas como um convite à análise cuidadosa. O investidor que fizer a lição de casa pode encontrar oportunidades interessantes na Bolsa.