Empresas estatais da China adquiriram entre 14 e 16 carregamentos de soja dos Estados Unidos na última sexta-feira, 31, segundo informações da agência de notícias Reuters. A compra ocorreu em um momento de queda nos preços da commodity e na reta final para a visita oficial do presidente chinês, Xi Jinping, aos EUA, prevista para o próximo mês. De acordo com as fontes, as aquisições somam cerca de 1 milhão de toneladas de soja, com cada carregamento tendo aproximadamente 65 mil toneladas e embarques programados para outubro.
Sinograin é a principal compradora
Um operador de uma empresa global do setor afirmou à Reuters que as compras foram realizadas principalmente pela Sinograin, grande empresa estatal chinesa fundada em 2000. "Além disso, a aproximação da visita de Xi Jinping aos Estados Unidos reforça o interesse da China em ampliar as compras de soja americana dentro dos compromissos assumidos com Washington", afirmou o operador, sob condição de anonimato. A fala indica que Pequim busca usar as aquisições como um gesto de boa vontade no âmbito das relações bilaterais.
A Sinograin, porém, não confirmou oficialmente a operação. A Cofco, outra estatal chinesa do ramo, também foi procurada pela agência e não respondeu aos pedidos de comentário. Ambas são consideradas instrumentos do governo chinês para executar políticas de abastecimento e segurança alimentar.
Disputa China x Brasil no mercado de soja
A movimentação do governo chinês acontece em um momento de intensa disputa pela liderança no fornecimento global de soja. O Brasil é atualmente o principal exportador do grão para a China e responde pela maior parte das importações chinesas. Os Estados Unidos aparecem como segundo maior fornecedor e buscam ampliar sua participação no mercado chinês por meio de acordos comerciais.
Para Pequim, manter compras dos dois países é uma estratégia para garantir o abastecimento e reduzir riscos de dependência excessiva de um único provedor. Além disso, a diversificação de origens dá ao governo chinês mais poder de barganha nas negociações de preços e condições comerciais.
Meta de 25 milhões de toneladas ao ano
Em outubro, a Casa Branca anunciou que a China concordou em comprar 25 milhões de toneladas de soja dos EUA por ano até o fim de 2028. Antes da operação de sexta-feira, os chineses haviam adquirido pouco mais de 4 milhões de toneladas da commodity em 2026. Com o novo lote, o total comprado no ano sobe para cerca de 5 milhões de toneladas, ainda muito abaixo da meta anual acordada.
A diferença mostra que as compras chinesas de soja norte-americana têm oscilado conforme o preço e o contexto político. A operação mais recente veio depois de uma semana de queda nos preços, o que tornou o produto americano mais atrativo para as estatais chinesas.
Detalhes da operação e prêmios pagos
De acordo com uma pessoa citada pela Reuters, as estatais pagaram um prêmio de US$ 3,03 por bushel acima do contrato de novembro negociado na Bolsa de Chicago para cargas embarcadas pelo Golfo dos EUA. Para embarques realizados pelo Noroeste do Pacífico, o prêmio ficou em US$ 3 por bushel. No mercado de referência, o contrato de soja mais negociado recuou 5,2% na semana passada, o que contribuiu para viabilizar a operação.
Paralelamente, a Sinograin vendeu na sexta-feira cerca de metade das 504 mil toneladas de soja importada que colocou em leilão. Segundo fontes do mercado, a medida ajuda a abrir espaço nos estoques para a chegada das novas cargas adquiridas nos Estados Unidos. A movimentação sugere que as estatais estão gerenciando seus armazéns para acomodar os embarques programados para outubro.
Visita de Xi e possível retirada de tarifas
No fim de julho, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que Xi Jinping deve visitar o país em 24 de setembro. O mercado também acompanha a possibilidade de a China retirar as tarifas aplicadas à soja norte-americana. Caso isso ocorra, empresas privadas de processamento poderão ampliar as compras do produto.
Ainda não está claro, porém, se a soja dos EUA será competitiva o suficiente para atrair compradores privados chineses, que são mais sensíveis aos preços. Analistas ressaltam que o produto norte-americano seguirá disputando espaço com a soja brasileira, que atualmente lidera o abastecimento do mercado chinês.
*Com informações da agência de notícias Reuters.



