Direção banca o treinador após protestos
Eliminado da Copa Sul-Americana após uma derrota para o Bolívar, o Grêmio atravessa um dos momentos mais delicados da temporada. A partida, disputada na Arena, terminou com vaias da torcida e gritos pedindo a volta de Renato Portaluppi, ídolo e ex-técnico do clube. A pressão sobre Luís Castro, que vive o pior momento em sete meses de trabalho, aumentou de forma considerável.
Mesmo com o ambiente adverso, a direção tricolor decidiu bancar a permanência do treinador português. O vice de futebol Rafael Lima foi o porta-voz dessa posição. Após o jogo, ele ressaltou que o trabalho desenvolvido no dia a dia, apesar de ainda não se refletir nos resultados, é o principal motivo para a continuidade do profissional.
Cobrança no vestiário e recado direto
Apesar do respaldo público, a diretoria não deixou de fazer cobranças. Segundo apuração do ge, uma reunião rápida após a partida serviu para transmitir uma mensagem clara ao elenco: o resultado não era o esperado, houve decepção geral com a atuação e o grupo pode render mais. O recado, dado ainda no vestiário, foi curto, mas direto.
Rafael Lima explicou os critérios utilizados pela direção para manter Castro. “A permanência do treinador se justifica pelo trabalho que a gente acompanha, que óbvio que não se reflete nos resultados. Enquanto não acontecem, a gente vê evoluções no dia a dia. O resultado ainda não chegou, infelizmente. O que mantém o treinador é o trabalho. E vamos trabalhar para as vitórias aparecerem o mais rápido possível”, afirmou o dirigente.
O posicionamento oficial, porém, não elimina a preocupação interna. Fontes do Grêmio garantiram a permanência do técnico logo depois do encerramento da reunião, mas uma eventual demissão não está descartada caso a equipe seja eliminada na Copa do Brasil. Ou seja: o respaldo tem limite.
Copa do Brasil como limite para a paciência
O próximo desafio do Grêmio coloca o cargo de Luís Castro em jogo. No domingo, fora de casa, o time inicia uma série de dois confrontos contra o Mirassol pela vaga nas quartas de final da Copa do Brasil. O jogo de volta está marcado para três dias depois, na Arena. Qualquer tropeço pode precipitar uma mudança de comando.
A diretoria, contudo, aposta na chegada de reforços para mudar o cenário. Jovane Cabral, Diego Caito e Filip Krovinović foram os principais nomes contratados na janela e são vistos como peças capazes de elevar o nível do elenco. O discurso interno é que o grupo pode fazer bons jogos, especialmente com esses jogadores à disposição. O foco da gestão, neste momento, está mais na reformulação do que na troca de treinador.
Brasileirão é a urgência tricolor
A eliminação na Copa Sul-Americana, embora dolorosa, não é tratada como o principal problema. A diretoria entende que a competição continental não era a prioridade da temporada. A grande preocupação é o Campeonato Brasileiro, onde o Grêmio ocupa o 17º lugar, com 22 pontos, dentro da zona de rebaixamento. A luta para deixar essa posição é o que orienta as decisões do clube.
Diante dos jornalistas, Luís Castro foi questionado sobre o que justifica a sequência no cargo. “O que justifica a minha permanência é eu trabalhar todos os dias de forma digna e honesta”, respondeu. A fala, no entanto, não foi suficiente para acalmar os ânimos. A torcida já demonstrou que a paciência se esgotou, e os gritos de Renato nas arquibancadas são a materialização dessa insatisfação.
O Grêmio volta ao Brasileirão somente no dia 8 de agosto, contra o São Paulo, pela 22ª rodada. Até lá, os dois jogos contra o Mirassol pela Copa do Brasil serão decisivos para o futuro do treinador e também para a confiança do elenco. A direção, por enquanto, segura a bronca e garante: o trabalho segue, mas a cobrança por resultados é imediata.



