Tarifaço dos EUA derruba Bolsa, eleva dólar a R$ 5,09 e juros sobem
Tarifaço dos EUA derruba Bolsa, dólar a R$ 5,09 e juros sobem

O mercado financeiro brasileiro amanheceu sob forte pressão nesta quinta-feira, após o anúncio de novas tarifas comerciais dos Estados Unidos sobre produtos brasileiros. O Ibovespa, principal índice da Bolsa de Valores de São Paulo, fechou em queda de 1,3%, aos 128.500 pontos, enquanto o dólar comercial avançou para R$ 5,09, acumulando alta de 1,8% no dia. Os juros futuros também dispararam, com o contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2027 saltando de 14,2% para 14,5% ao ano.

Impacto das tarifas e fuga de risco global

As tarifas anunciadas pelo governo americano, que incidem sobre aço, alumínio e produtos agrícolas brasileiros, geraram um movimento de aversão ao risco nos mercados emergentes. Segundo analistas da XP Investimentos, a medida reforça a percepção de que a guerra comercial entre EUA e China pode se intensificar, afetando diretamente o Brasil, um dos principais parceiros comerciais americanos na América Latina. "O anúncio pegou o mercado de surpresa e provocou uma realocação de portfólios para ativos seguros, como o dólar e o ouro", afirmou o economista-chefe da corretora, em nota a clientes.

Desconfiança fiscal e pré-eleição agravam cenário

Além do fator externo, o mercado doméstico segue pressionado pela desconfiança em relação à política fiscal brasileira. A proximidade das eleições presidenciais de outubro aumenta a incerteza sobre a continuidade do arcabouço fiscal e a sustentabilidade da dívida pública. "O mercado está descontando um risco fiscal maior, com a possibilidade de aumento de gastos públicos sem contrapartida de receitas", explicou o gestor de renda fixa da gestora ARX. Os juros futuros de longo prazo, como o DI para 2029, subiram de 14,8% para 15,1%, refletindo essa preocupação.

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Dólar rompe barreira dos R$ 5,10 e atinge maior nível em três meses

O dólar comercial fechou a R$ 5,09, após tocar R$ 5,10 durante a tarde, maior valor desde abril. A moeda americana se fortaleceu globalmente, com o índice DXY subindo 0,4%, mas a alta no Brasil foi amplificada pela saída de investidores estrangeiros da Bolsa. Dados da B3 mostram que o fluxo cambial negativo somou R$ 2,5 bilhões no dia, com remessas de lucros e dividendos. "A combinação de tarifas e incerteza fiscal cria um ambiente perfeito para a fuga de capital", resumiu o estrategista do Banco Safra.

Setores mais afetados e perspectivas

As ações de empresas exportadoras, como siderúrgicas e frigoríficos, lideraram as perdas na Bolsa. A Vale caiu 2,5%, a Gerdau recuou 3,1% e a JBS perdeu 2,8%. Já os papéis de bancos e varejistas também sofreram, com o Itaú Unibanco caindo 1,2% e a Lojas Renner, 1,9%. "O mercado precifica um cenário de juros mais altos por mais tempo, o que comprime a atividade econômica e os lucros corporativos", afirmou o analista da Rico Investimentos. Para os próximos dias, a expectativa é de volatilidade, com investidores monitorando os desdobramentos das negociações comerciais entre Brasil e EUA, além dos dados de inflação e emprego no Brasil.

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