Tarifaço de Trump tem mais de 2 mil exceções; entenda impacto no Brasil
Tarifaço de Trump: mais de 2 mil exceções e impacto no Brasil

O novo pacote de tarifas imposto pelo governo Trump sobre produtos brasileiros entrou em vigor com mais de 2 mil exceções, incluindo itens como terras-raras, carne e café. A medida, que faz parte da chamada Lei da Reciprocidade, gerou reações mistas no mercado financeiro e entre especialistas, que apontam impacto econômico limitado, mas alertam para consequências políticas e setoriais.

Exceções e setores beneficiados

Entre as principais isenções estão o café solúvel brasileiro, que agora fica livre de tarifas, garantindo a continuidade das exportações. O setor de carnes também foi contemplado, aliviando parte da pressão sobre produtores nacionais. No entanto, a lista de exceções é extensa e inclui insumos estratégicos como terras-raras, utilizados em alta tecnologia.

De acordo com o JPMorgan, o tarifaço tem impacto econômico limitado no curto prazo, mas o efeito político é mais relevante. “A medida pode ser usada como moeda de troca em negociações bilaterais”, afirmou o banco em relatório. Já a Fiesp criticou a postura do governo federal, classificando o tarifaço como “mais um custo Brasil que poderia ter sido evitado”.

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Reações do mercado e política

O Ibovespa caiu aos 175 mil pontos com a repercussão do tarifaço, refletindo a cautela dos investidores. No mercado de renda fixa, o juro do Tesouro IPCA+ subiu por toda a curva, seguindo o movimento dos Treasuries americanos. A Copel recuou 3% após elevar a meta de alavancagem, enquanto a Movida dobrou o lucro líquido no 2º trimestre de 2026, para R$ 135,6 milhões.

No campo político, o tarifaço gerou troca de acusações. O senador Flávio Bolsonaro e o governador de Minas Gerais, Romeu Zema, atacaram o presidente Lula, que por sua vez culpou a família Bolsonaro pela ação dos EUA. O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, foi criticado pelo ministro Haddad por ser “frouxo e pouco transparente”.

Possível retaliação brasileira

O governo brasileiro avalia medidas de retaliação, que podem incluir royalties e patentes farmacêuticas. A Lei da Reciprocidade, usada como base para o tarifaço americano, também pode ser invocada pelo Brasil. Especialistas apontam que uma escalada na guerra comercial pode prejudicar setores como o agronegócio, que já sofre com custos elevados.

O CEO do Grupo Feital, em entrevista, revelou que a empresa enfrentou uma crise severa: “Tínhamos R$ 50 para pagar 1.500 funcionários”. A declaração ilustra o ambiente de incerteza para os negócios no país.

Perspectivas e alertas

Apesar das isenções, analistas alertam que o tarifaço pode ter efeitos de longo prazo sobre a competitividade brasileira. A ARX Investimentos destacou que o sinal da Fazenda sobre isentos aponta para um ajuste fiscal pós-eleição. No mercado de holdings patrimoniais, Itapema vive uma nova fase de expansão no setor de luxo.

Enquanto isso, a Nike ficou de fora da final da Copa do Mundo de 2026, com disputa entre seleções patrocinadas pela Adidas. No cenário internacional, o Irã ameaça fechar mais rotas marítimas, elevando a tensão sobre o estreito de Hormuz.

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