O ouro futuro registrou queda nesta quinta-feira (16), fechando abaixo do patamar de US$ 4 mil por onça-troy, pressionado pelo avanço dos rendimentos dos títulos do Tesouro dos Estados Unidos (Treasuries) e pela valorização do dólar no mercado internacional. O contrato mais líquido do metal precioso, com vencimento em agosto, recuou 1,2%, para US$ 3.980,20 por onça, na Comex, divisão de metais da New York Mercantile Exchange.
Rendimento dos Treasuries de 10 anos atinge máxima em três meses
O rendimento da T-note de 10 anos, referência global para investimentos, subiu para 4,38%, maior nível desde meados de abril. Esse movimento torna ativos que pagam juros, como os títulos públicos americanos, mais atraentes em comparação ao ouro, que não oferece rendimento. Além disso, o dólar se fortaleceu ante uma cesta de moedas principais, com o índice DXY avançando 0,3%, para 104,80. Como o ouro é cotado em dólar, sua valorização encarece o metal para detentores de outras moedas, reduzindo a demanda.
Dados de emprego nos EUA e expectativas de juros pesam
O mercado também reagiu a dados econômicos divulgados hoje. Os pedidos semanais de auxílio-desemprego nos Estados Unidos caíram para 233 mil, abaixo das expectativas de 245 mil, sinalizando um mercado de trabalho ainda aquecido. Isso reforça a percepção de que o Federal Reserve (Fed, o banco central americano) pode manter os juros elevados por mais tempo. Juros altos aumentam o custo de oportunidade de deter ouro, que não paga juros.
“O ouro está sofrendo com a combinação de juros reais mais altos e dólar forte. O mercado está precificando que o Fed não vai cortar os juros tão cedo, o que tira o brilho do metal”, disse David Meger, diretor de negociação de metais da High Ridge Futures, em nota a clientes.
Outros metais preciosos também caem
A pressão se estendeu a outros metais preciosos. A prata para setembro caiu 2,1%, para US$ 29,85 por onça. A platina recuou 1,5%, para US$ 1.020,00, e o paládio teve baixa de 0,8%, para US$ 1.450,00 por onça.
Perspectivas para o ouro
Analistas do banco Goldman Sachs revisaram para baixo a projeção de preço do ouro para o final de 2026, de US$ 4.200 para US$ 4.000 por onça, citando a resiliência da economia americana e a política monetária mais apertada. No entanto, mantêm a visão de que o metal pode se recuperar com eventuais tensões geopolíticas ou cortes de juros no futuro.
O ouro acumula alta de 12% no ano, mas perdeu fôlego nas últimas semanas. Para o curto prazo, o nível de suporte imediato está em US$ 3.950, e uma quebra abaixo disso pode levar o metal a testar US$ 3.880, segundo análise técnica do Commerzbank.



