Risco de crédito da Meta dispara com preocupações sobre investimentos em IA
Risco de crédito da Meta dispara com investimentos em IA

A Meta Platforms, controladora do Facebook, enfrenta uma crescente percepção de risco de crédito no mercado financeiro. A preocupação com a forma como a empresa financiará seus maciços investimentos em inteligência artificial (IA) levou a uma disparada nos spreads de crédito e nos prêmios de seguros contra calote (CDS), além de pressionar as ações da companhia.

Movimento nos mercados de crédito e ações

Na última semana, o CDS de cinco anos da Meta saltou para níveis não vistos desde o pânico bancário de 2023, refletindo o temor dos investidores de que o endividamento da empresa possa aumentar significativamente. Paralelamente, os títulos de dívida da companhia, que há poucos meses eram negociados com prêmios mínimos, agora passam a oferecer yields mais elevados, indicando maior percepção de risco.

As ações da Meta também foram impactadas, registrando queda de mais de 4% no pregão de segunda-feira, acumulando perdas de cerca de 15% no mês. O movimento ocorre em meio a um rali generalizado de tecnologia, mas a Meta destoa negativamente devido às dúvidas sobre seus planos de investimento em IA.

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Estratégia agressiva em IA gera dúvidas

A Meta anunciou recentemente um plano de investimento recorde em infraestrutura de IA, estimado em US$ 65 bilhões para 2025, valor que supera as expectativas do mercado. O CEO Mark Zuckerberg defendeu a estratégia como essencial para a competitividade futura, mas analistas apontam que o custo elevado pode pressionar o fluxo de caixa livre e elevar a alavancagem financeira.

De acordo com relatório do banco J.P. Morgan, “a Meta está em uma posição desafiadora: precisa investir pesado para não ficar para trás na corrida da IA, mas o mercado está questionando a capacidade de geração de caixa para sustentar esse nível de gastos sem comprometer o balanço”.

Comparação com pares do setor

Enquanto outras big techs, como Alphabet e Microsoft, também aumentam seus gastos em IA, a Meta é vista como mais vulnerável por depender quase exclusivamente da receita publicitária. A diversificação menor e a ausência de um negócio de nuvem robusto tornam a empresa mais sensível a mudanças no ciclo econômico.

Além disso, os investidores notam que a Meta enfrenta riscos regulatórios na Europa e nos Estados Unidos, que podem afetar sua principal fonte de receita. A combinação de maior endividamento potencial e incertezas regulatórias contribui para a reprecificação do risco de crédito.

Impacto nos títulos e CDS

O spread dos títulos com vencimento em 2033, por exemplo, passou de 85 pontos-base para 150 pontos-base em apenas duas semanas. O CDS de cinco anos, que estava em torno de 60 pontos-base, saltou para 110 pontos-base, segundo dados do mercado. Esse movimento indica que os investidores estão exigindo um prêmio maior para compensar o risco de um eventual default.

A Meta, no entanto, mantém classificação de crédito grau de investimento pelas principais agências, como Moody's e S&P. Mas a tendência de elevação do risco pode levar a rebaixamentos se a alavancagem continuar aumentando.

Perspectivas para os próximos meses

Analistas de mercado monitoram de perto os resultados trimestrais da Meta, que serão divulgados em fevereiro. A empresa deverá apresentar guidance para o fluxo de caixa e para os gastos de capital, fatores cruciais para a percepção de risco.

“O mercado quer ver evidências de que os investimentos em IA estão gerando retorno e que a Meta consegue equilibrar o crescimento com a disciplina financeira”, afirmou um analista do Goldman Sachs. Caso contrário, a pressão sobre o crédito e as ações pode se intensificar.

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