O Ibovespa chegou a saltar 1,5% e superar a marca histórica de 180 mil pontos nesta quarta-feira, mas a queda do petróleo no exterior amenizou o ritmo dos ganhos. O movimento reflete o otimismo com a agenda doméstica e a expectativa pela decisão do Comitê de Política Monetária (Copom), que pode calibrar os juros no Brasil.
Mercado reage a dados e aguarda Copom
O índice da B3 abriu em alta e rapidamente atingiu o patamar de 180.000 pontos, impulsionado por ações de setores como bancos e consumo. No entanto, a desvalorização do barril de petróleo, que chegou a cair mais de 3%, pressionou as ações de petroleiras, como Petrobras, Brava e PRIO, que registraram perdas expressivas.
Segundo analistas, a retração mais forte na indústria em junho, divulgada nesta manhã, pode contribuir para calibrar os juros na reunião do Copom, que começa hoje e termina amanhã. A expectativa é de que o comitê mantenha a taxa Selic no patamar atual, mas o cenário econômico pode levar a ajustes futuros.
Petróleo em queda pressiona petroleiras
O petróleo Brent virou e passou a cair 3% após declarações do secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, sobre um possível acordo comercial. A notícia derrubou as ações da Petrobras, Brava e PRIO, que figuram entre as maiores quedas do Ibovespa. A commodity opera nas mínimas desde 2025, levantando dúvidas sobre a recuperação dos preços.
Enquanto isso, a Vale subiu na B3 mesmo com o minério de ferro nas mínimas do ano. A commodity enfrenta pressão, mas o papel da mineradora encontrou suporte em fatores técnicos e na expectativa de estímulos na China.
Destaques positivos e negativos
Entre as altas, a ação da Pague Menos subiu mais de 6% após a companhia reportar margem Ebitda recorde no segundo trimestre. Já a Tegma (TGMA3) registrou lucro líquido de R$ 83 milhões, alta anual de 20%. A IMC vendeu sua subsidiária de refeições para companhias aéreas por R$ 20 milhões.
No setor de educação, o Goldman Sachs cortou a recomendação da Ânima para venda, revisando projeções para o setor. A Cogna (COGN3) aprovou a incorporação da Vasta pela Somos, enquanto a Eve reduziu o prejuízo em 47,1% no segundo trimestre, para US$ 34,2 milhões.
Impacto nos juros e no câmbio
A queda do petróleo e os dados de atividade econômica devem influenciar a decisão do Copom. Economistas apontam que a retração industrial pode dar mais conforto ao comitê para manter a taxa básica, mas a inflação ainda preocupa. O mercado de juros futuros opera com leve queda, refletindo a expectativa de manutenção da Selic.
No câmbio, o dólar comercial opera em queda, acompanhando o fluxo positivo para a bolsa. O minidólar (WDOU26) apresenta suportes e resistências claras para os traders, com o mercado atento aos desdobramentos da política monetária.
Perspectivas para o curto prazo
Analistas consultados pelo InfoMoney indicam que o Ibovespa pode retomar a alta se o petróleo se estabilizar e o Copom sinalizar manutenção dos juros. No entanto, a volatilidade deve continuar, com atenção à temporada de balanços e ao cenário externo.
O mini-índice (WINQ26) apresenta níveis técnicos que podem indicar a continuidade do movimento de alta. O mercado acompanha ainda a OPA por permuta na B3, que ganha força com casos como Randon e Santander, e a corrida eleitoral nos EUA, que pode impactar os mercados globais.



