Dólar sobe a R$ 5,13 e ativos locais divergem do exterior
Dólar sobe a R$ 5,13; ativos locais divergem

O dólar comercial fechou em alta de 0,84% nesta quarta-feira, cotado a R$ 5,13, enquanto o Ibovespa recuou 0,5%, para 128.500 pontos. O movimento contrasta com o otimismo nos mercados internacionais, onde o apetite por risco predominou após dados econômicos positivos nos Estados Unidos e na China.

Cenário externo favorável, mas investidores locais cautelosos

Lá fora, o índice S&P 500 subiu 0,3% e o euro avançou 0,2% ante o dólar. No entanto, aqui, a cautela prevaleceu. Segundo analistas, a atenção dos investidores está voltada para as discussões sobre o arcabouço fiscal no Congresso e para a possibilidade de novos estímulos do Banco Central.

“O mercado local está precificando riscos internos que não têm relação direta com o cenário global. A tramitação do marco fiscal e as declarações de membros do governo sobre meta de inflação geram incerteza”, afirmou Rafael Pacheco, economista-chefe da XP Investimentos.

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Pressões fiscais e política monetária no radar

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, reafirmou ontem que o governo trabalha para cumprir a meta de déficit zero em 2024, mas não descartou revisões. Além disso, o Copom indicou que pode reduzir a Selic em 0,50 ponto percentual na próxima reunião, o que pressiona o câmbio.

O Banco Central vendeu US$ 1 bilhão em contratos de swap cambial tradicional hoje, mas a medida não foi suficiente para conter a alta da moeda. O volume negociado na B3 foi de R$ 23 bilhões, acima da média diária de R$ 20 bilhões.

Impacto no mercado de juros e ações

No mercado de juros, as taxas dos contratos de DI subiram, com o vencimento para janeiro de 2027 passando de 12,3% para 12,45%. Isso reflete a expectativa de inflação mais alta, já que o IPCA-15 de julho veio acima do esperado.

Entre as ações, os destaques negativos foram os papéis de empresas ligadas ao consumo interno, como Magazine Luiza e Via, que caíram mais de 2%. Já as ações de commodities metálicas, como Vale e Gerdau, subiram acompanhando a alta do minério de ferro na China.

Perspectiva para os próximos dias

Analistas preveem que o câmbio continue volátil, com suporte em R$ 5,05 e resistência em R$ 5,20. A agenda de quinta-feira inclui a divulgação do PIB do segundo trimestre nos EUA e a decisão de política monetária do Banco Central Europeu.

“O cenário externo ainda é favorável, mas sem uma solução clara para a questão fiscal, o real tende a permanecer pressionado. Acreditamos que o dólar pode testar R$ 5,20 caso as negociações no Congresso não avancem”, completou Pacheco.

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