O dólar comercial encerrou a sessão desta quarta-feira (5) em queda de 1,2%, cotado a R$ 5,42, enquanto o Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, avançou 0,8%, aos 128.500 pontos. O movimento foi impulsionado pela divulgação de dados de emprego nos Estados Unidos, que vieram abaixo do esperado, reforçando a expectativa de que o Federal Reserve (Fed) possa iniciar cortes de juros ainda neste ano.
Reação do mercado
Segundo analistas da corretora XP, o relatório de empregos não agrícolas (payroll) mostrou a criação de 150 mil vagas em julho, ante expectativa de 180 mil. A taxa de desemprego subiu para 4,3%, acima do previsto. Esses números aumentaram a probabilidade de um afrouxamento monetário nos EUA, o que enfraquece o dólar globalmente e favorece ativos de risco, como as ações brasileiras.
O estrategista-chefe do banco ABC Brasil, Ricardo Martins, afirmou que “o mercado interpretou os dados como um sinal de que o Fed terá espaço para cortar juros, o que alivia a pressão sobre moedas emergentes e dá fôlego à bolsa”.
Impacto nos investimentos
Com a queda do dólar, setores como o de varejo e o de tecnologia, que dependem de importações, tiveram ganhos expressivos. As ações de empresas exportadoras, por outro lado, sofreram leve recuo. O movimento também beneficiou os títulos públicos indexados à inflação, que apresentaram valorização.
Especialistas recomendam cautela, pois a volatilidade deve continuar até a próxima reunião do Copom, que ocorre na semana que vem. A expectativa é de manutenção da taxa Selic em 10,5% ao ano, mas o cenário externo pode influenciar a decisão.



