As taxas dos Depósitos Interfinanceiros (DIs) fecharam em alta nesta quinta-feira, refletindo três fatores principais: o avanço dos rendimentos dos Treasuries no exterior, a nova tarifa de 25% anunciada pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros e o leilão robusto de títulos prefixados do Tesouro Nacional.
Taxas dos DIs sobem com Treasuries e tarifa dos EUA
No fim da tarde, a taxa do DI para janeiro de 2028 estava em 13,91%, com alta de 6 pontos-base ante o ajuste de 13,851% da sessão anterior. O DI para janeiro de 2035 marcou 14,435%, com elevação de 11 pontos-base ante 14,328%.
Os Estados Unidos informaram pela manhã que foram feitos 208 mil pedidos de auxílio-desemprego na semana passada, abaixo dos 217 mil projetados por economistas em pesquisa da Reuters. Além disso, as vendas no varejo subiram 0,2% em junho, em linha com o esperado. Esses números sugerem uma economia resiliente nos EUA, impulsionando os rendimentos dos Treasuries, que atingiram os picos do dia.
Tarifa de 25% sobre produtos brasileiros
O movimento de alta dos Treasuries deu suporte às taxas dos DIs, que também reagiram ao anúncio, pelo Escritório do Representante de Comércio dos EUA (USTR), da tarifa de 25% sobre importações de produtos brasileiros. A cobrança começará a valer em 22 de julho. Embora a lista de exceções seja mais ampla que o esperado, a tarifação de produtos como açúcar, máquinas agrícolas, papel e aço tem potencial para afetar setores específicos da economia brasileira.
O possível impacto sobre as exportações do Brasil para os EUA pode prejudicar o fluxo de dólares para o país, com efeitos sobre as cotações da moeda norte-americana e, no limite, sobre a inflação, afetando os juros. O Brasil é o primeiro país a receber tarifa após investigação comercial do USTR. Cerca de 80 investigações comerciais foram abertas pelo escritório e dezenas de países ainda podem ser punidos.
Leilão de títulos prefixados do Tesouro impacta taxas
Profissional ouvido pela Reuters pontuou que, além dos Treasuries e da tarifação, as taxas foram impactadas nesta quinta-feira pelo leilão semanal de títulos prefixados do Tesouro, em que foram vendidos ao mercado 22,05 milhões de Letras do Tesouro Nacional (LTNs) e 2,65 milhões de Notas do Tesouro Nacional — Série F (NTN-Fs).
A venda de títulos pelo Tesouro tende a ter um impacto altista nas taxas dos títulos e, consequentemente, na curva de DIs. O volume negociado nesta quinta-feira foi bem maior que o de uma semana antes, de 9 milhões de LTNs e 4,15 milhões de NTN-Fs.
Vendas no varejo no Brasil ficam abaixo do esperado
Pela manhã, sem efeitos na curva, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) informou que as vendas no varejo subiram 0,1% em maio ante abril e avançaram 0,4% em relação a maio do ano passado. Economistas ouvidos em pesquisa da Reuters esperavam por ganho mensal de 0,5% e anual de 1,15%.
Rendimentos dos Treasuries em alta
Às 16h31, o rendimento do Treasury de dois anos – que reflete apostas para os rumos das taxas de juros de curto prazo – tinha alta de 3 pontos-base, a 4,156%. Já o retorno do título de dez anos – referência global para decisões de investimento – subia 2 pontos-base, a 4,565%.



