As principais bolsas da Europa fecharam em terreno positivo nesta segunda-feira (27), beneficiadas por um alívio nos preços do petróleo, que recuaram mais de 2% após dados econômicos mais fracos da China e sinais de aumento da oferta global. O movimento trouxe certo respiro aos investidores, que passaram a precificar menor pressão inflacionária e, consequentemente, uma postura menos agressiva dos bancos centrais.
Desempenho dos índices europeus
O índice pan-europeu Stoxx 600 avançou 0,78%, aos 456,32 pontos. Em Londres, o FTSE 100 subiu 0,65%, puxado por ações de petroleiras e mineradoras, que se beneficiaram da queda nos custos de energia. O DAX alemão ganhou 0,53%, enquanto o CAC 40 francês valorizou-se 0,72%. O FTSE MIB, em Milão, registrou alta de 0,89%.
Petróleo em foco
O barril do petróleo Brent, referência internacional, caiu 2,1%, para US$ 78,34, enquanto o WTI americano recuou 2,3%, a US$ 74,12. A queda foi atribuída à desaceleração da atividade industrial na China e à expectativa de que a Arábia Saudita possa elevar sua produção para compensar perdas de outros membros da Opep+. Segundo analistas, o movimento alivia a pressão sobre as cadeias de suprimentos e reduz as expectativas de inflação no curto prazo.
Impacto para os mercados
Com o petróleo mais barato, setores como transporte, aviação e bens de consumo tiveram ganhos expressivos. A companhia aérea Ryanair saltou 3,1%, enquanto a Lufthansa avançou 2,8%. Já as montadoras, como Volkswagen e BMW, subiram mais de 1,5%. No setor de energia, as ações da BP e Shell caíram moderadamente, refletindo a própria queda da commodity.
Perspectivas e próximos passos
"A queda do petróleo trouxe um alívio bem-vindo para os mercados acionários europeus, que vinham pressionados por temores de juros mais altos", disse François Villeroy de Galhau, presidente do Banco da França, em entrevista à Bloomberg News. Ele acrescentou que, se a tendência de baixa se mantiver, o Banco Central Europeu pode ter mais espaço para interromper o ciclo de aperto monetário. A próxima reunião do BCE ocorre em setembro, e os investidores estarão atentos aos dados de inflação de agosto.
O índice de volatilidade VIX, conhecido como "indicador do medo", caiu 4,5%, sinalizando maior confiança no mercado. Analistas do Barclays avaliaram que a correção nos preços do petróleo reduz o risco de uma recessão global, mas alertam que a demanda ainda é incerta. "A recuperação das bolsas depende de uma combinação de inflação menor e crescimento sustentado", ponderou Stefan Schneider, estrategista do banco alemão Deutsche Bank.



