Os Fundos de Investimento em Direitos Creditórios (FIDCs) estão prestes a ultrapassar a marca de R$ 1 trilhão em patrimônio líquido, segundo dados da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima). O volume, que cresce a taxas de dois dígitos ao ano, reflete a busca por alternativas de crédito privado em um cenário de juros elevados.
Crescimento acelerado e espaço para expansão
De acordo com a Anbima, o patrimônio dos FIDCs somava R$ 987 bilhões em maio de 2026, alta de 18% em 12 meses. Gestores do setor enxergam oportunidades em segmentos como crédito imobiliário, agronegócio e empresas de médio porte, que ainda têm baixa penetração desses fundos. “O mercado de FIDCs ainda representa menos de 10% do crédito total no Brasil, contra mais de 30% em economias maduras”, afirma Carlos Salles, diretor de investimentos da XP Asset. “Há muito espaço para crescer, especialmente com a modernização das regras de securitização.”
Regulação e inovação como motores
A Resolução 4.654 do Conselho Monetário Nacional, que ampliou as possibilidades de emissão de cotas, e a maior transparência nas classificações de risco têm atraído investidores institucionais. “Os fundos de pensão e as seguradoras estão aumentando a alocação em FIDCs, pois oferecem prêmio sobre o CDI com risco controlado”, explica Luciana Mendes, analista da Moody's Local. Ela projeta que o segmento pode atingir R$ 1,5 trilhão em até três anos.
Desafios e riscos
Apesar do otimismo, especialistas alertam para riscos de inadimplência e concentração em setores cíclicos. Em 2025, a taxa de default média dos FIDCs foi de 2,3%, acima da média histórica de 1,8%, segundo a Spectra. “A gestão ativa de carteiras e a diversificação são essenciais para evitar perdas”, ressalta Pedro Alves, diretor de crédito da Sul América Investimentos. “O momento exige cautela, mas o potencial de retorno ajustado ao risco ainda é atrativo.”
Impacto no mercado de capitais
O avanço dos FIDCs também impulsiona o mercado de capitais, com mais empresas utilizando esses veículos para financiar recebíveis. No primeiro semestre de 2026, as emissões de FIDCs somaram R$ 120 bilhões, recorde para o período. “Isso reduz a dependência do crédito bancário e amplia as fontes de funding para empresas de todos os portes”, conclui Salles.



