Credores da Braskem exigem negociação direta com Petrobras
Credores da Braskem exigem conversas diretas com Petrobras

Os detentores de títulos de dívida emitidos no exterior da Braskem têm exigido conversas diretas com a Petrobras, sem intermediação da IG4 Capital, para dar andamento às negociações em torno de um plano de recuperação extrajudicial que precisa ser fechado até meados de agosto. Existe uma “frustração” com o andamento das negociações, que são conduzidas por executivos da área financeira da Braskem, indicados pela gestora.

Movimentações recentes e propostas rejeitadas

As últimas movimentações da negociação foram feitas por grupos de credores. Em documentos que se tornaram públicos, é possível ver que a Braskem fez uma primeira proposta. Cerca de um mês depois, ela foi rejeitada pelos detentores de dívidas da companhia, que apresentaram suas exigências. A companhia rejeitou a sugestão apresentada por eles e conseguiu, na Justiça, uma medida cautelar que suspende vencimentos de dívidas por 60 dias contados a partir de 26 de junho de 2026.

Desde então, a empresa petroquímica recebeu duas novas propostas de credores, apurou a Coluna. O curto prazo desde essas últimas comunicações ainda não permitiu que os negociadores, por parte da companhia, elaborassem uma resposta, afirmaram fontes próximas às discussões. As soluções trazidas pelos credores têm caminhos diversos, dentre os quais a conversão de dívida em ações da Braskem.

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Petrobras vista como referência

Nessa equação, a IG4 é vista por credores como secundária, já que a Petrobras é uma acionista de referência “há décadas” da Braskem e que, de acordo com fontes, não pode, no momento em que uma dívida bruta de US$ 9,4 bilhões está sendo renegociada, deixar de participar das conversas. Entre os detentores de títulos estão grandes bancos de investimento, seguradoras e gestoras de fundos globais.

Até aqui, as interlocuções têm acontecido com o comando de indicados da IG4 e o temor, por parte dos credores, está na fragilidade do plano que foi proposto pela companhia em junho e que ficou público no site de RI da Braskem, envolvendo um alongamento da dívida, com redução de juro. No mesmo documento, os bondholders classificaram a proposta como “insatisfatória” e disseram que, para que haja engajamento, é necessária uma discussão racional, envolvendo as necessidades da companhia e refletindo uma “divisão de ônus” com os acionistas e o envolvimento dos acionistas nas negociações.

Frustração e falta de novidades

Desde então, a empresa não apresentou nada de novo, o que tem gerado “frustração”. Além disso, os credores apontam que a gestora IG4 não tem recursos próprios para um eventual aporte na companhia, diferentemente da Petrobras. Uma eventual contribuição financeira da estatal é almejada pelos detentores de dívida, mas, sobretudo, o que é solicitado é um rosto da acionista de referência nas conversas. Já o aceite de uma troca de dívida em ações, também considerada por parte dos credores, teria mais resistência da petroleira e da IG4.

“Normalmente, em renegociações de dívida desta magnitude, a troca de dívida por ações costuma ser um dos caminhos”, afirmou uma fonte entre os bondholders ouvidos pela Coluna. No mesmo documento que está no site da Braskem, os credores afirmam que “não apoiarão uma transação que exija extensões de vencimento que sejam desnecessárias para atender às necessidades de liquidez e de estrutura de capital da Braskem”.

Desejo de interlocução é considerado natural

Fontes próximas à Braskem afirmam ser natural o desejo dos credores de negociar diretamente com a sócia considerada por eles com mais recursos para um eventual aporte, mas argumentam que isso não é possível pela própria governança estabelecida para conduzir as negociações. Na estrutura de hoje, na qual a gestora IG4 indicou os executivos financeiros da companhia, esses representantes levam para a mesa posições discutidas entre a gestora e a sócia Petrobras, no Conselho de Administração que, por sua vez, é presidido pela CEO da Petrobras, Magda Chambriard.

Além disso, as conversas são intermediadas por assessores financeiros que mantêm conversas frequentes e diárias com todas as partes interessadas. Nesse contexto, contatos diretos entre acionistas e credores seriam considerados indevidos. Procuradas, IG4, Petrobras e Braskem não comentaram.

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