Os Fundos de Investimento em Direitos Creditórios (FIDCs) estão prestes a alcançar a marca de R$ 1 trilhão em patrimônio líquido, um marco que reflete o crescimento acelerado dessa classe de ativos nos últimos anos. Gestores do setor avaliam que, apesar do volume expressivo, ainda há amplo espaço para expansão, impulsionado pela demanda por crédito e pela busca de investidores por alternativas de renda fixa com maior rentabilidade.
O que são FIDCs e por que estão crescendo?
FIDCs são fundos que investem em direitos creditórios, como duplicatas, cheques e contratos de crédito. Eles funcionam como uma forma de securitização, permitindo que empresas transformem seus recebíveis em títulos negociáveis. O mercado brasileiro tem visto um aumento significativo na emissão desses fundos, especialmente após mudanças regulatórias que facilitaram a criação de FIDCs para investidores de varejo.
Segundo dados da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima), o patrimônio líquido dos FIDCs cresceu 35% em 2025, atingindo R$ 950 bilhões no final do ano. Para 2026, a projeção é que o montante ultrapasse R$ 1 trilhão já no primeiro semestre.
Gestores veem oportunidades em nichos
De acordo com especialistas, o potencial de crescimento está em segmentos ainda pouco explorados, como crédito para pequenas e médias empresas e operações de antecipação de recebíveis de cartão de crédito. “Há um enorme espaço para os FIDCs ganharem participação no mercado de crédito como um todo”, afirmou Carlos Salles, gestor de um dos maiores fundos da categoria. “A taxa de penetração ainda é baixa se comparada a países desenvolvidos.”
Outro fator é a diversificação dos investidores. Com a popularização das plataformas de investimento, pessoas físicas têm acesso facilitado a FIDCs, que oferecem isenção de Imposto de Renda para pessoas físicas em alguns casos, desde que o fundo tenha mais de 50 cotistas e atenda a critérios de liquidez.
Desafios e riscos
Apesar do otimismo, gestores alertam para riscos como inadimplência e falta de liquidez em momentos de estresse. A recente elevação da Selic para 14,25% ao ano também pode impactar a rentabilidade dos fundos, já que boa parte dos ativos é indexada ao CDI. “O cenário de juros altos exige seleção criteriosa dos créditos”, explicou Salles. “Mas, no geral, o momento é favorável para quem tem capacidade de análise.”
Com a perspectiva de queda da Selic no segundo semestre de 2026, a tendência é que os FIDCs se tornem ainda mais atrativos. O mercado aguarda a confirmação do marco de R$ 1 trilhão, que deve ocorrer nas próximas semanas, consolidando os FIDCs como uma das principais opções de investimento em crédito no Brasil.



