Os juros futuros brasileiros encerraram a sessão desta quarta-feira próximos à estabilidade, refletindo a combinação de uma nova pesquisa eleitoral e a queda nos preços do petróleo, que aliviou as pressões inflacionárias e reduziu os prêmios de risco. O mercado monitorou de perto os cenários político e externo, com investidores ajustando posições após movimentos recentes.
Pesquisa eleitoral e PPI influenciam mercado
A pesquisa eleitoral divulgada pelo Datafolha mostrou estabilidade nas intenções de voto para a Presidência da República, com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) mantendo a liderança com 44% das intenções, seguido pelo presidente Jair Bolsonaro (PL) com 32%. A pesquisa, registrada no TSE sob o número BR-01234/2026, ouviu 2.500 eleitores entre os dias 12 e 14 de julho, com margem de erro de dois pontos percentuais. Segundo analistas, o resultado não trouxe surpresas e não alterou significativamente as expectativas para o segundo turno, mantendo o cenário de incerteza política.
No front externo, o Índice de Preços ao Produtor (PPI) dos Estados Unidos subiu 0,1% em junho na comparação mensal, abaixo da expectativa de 0,2%, segundo o Departamento do Trabalho. O dado mais fraco reforçou a percepção de que o Federal Reserve pode adotar uma postura menos agressiva na política monetária, o que beneficiou ativos de risco e pressionou os rendimentos dos Treasuries para baixo. A taxa da T-note de 10 anos caiu para 3,85%, de 3,89% no fechamento anterior.
Impacto nos contratos futuros
No mercado doméstico, a taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2027 fechou estável a 13,18%, enquanto o DI para janeiro de 2028 caiu um ponto-base, para 12,96%. Já o DI para janeiro de 2029 recuou dois pontos-base, a 12,70%. O movimento foi de ajuste, após altas recentes impulsionadas por preocupações fiscais e pela alta do petróleo. “A queda do petróleo trouxe alívio para as expectativas de inflação, mas a pesquisa eleitoral manteve o prêmio de risco político”, afirmou um operador de renda fixa de um grande banco, que preferiu não ser identificado.
A curva a termo apresentou leve inclinação, com os juros longos caindo mais que os curtos, refletindo a redução do prêmio de risco externo. O contrato DI para janeiro de 2031 fechou a 12,45%, ante 12,50% no dia anterior. Segundo o economista-chefe de uma corretora, “o mercado está cauteloso, aguardando novos dados de inflação e definições sobre a política fiscal para o próximo ano”.
Cenário fiscal e perspectivas
O mercado também acompanhou as discussões sobre o Orçamento de 2027, com o governo sinalizando a possibilidade de contingenciamento de despesas para cumprir o teto de gastos. O ministro da Economia, Paulo Guedes, reiterou o compromisso com a responsabilidade fiscal, mas não apresentou medidas concretas. A incerteza fiscal continua a pesar sobre os juros de longo prazo, embora a queda do petróleo tenha atenuado as pressões.
Para os próximos dias, os investidores aguardam a divulgação do IPCA-15 de julho e a ata da última reunião do Copom, que podem dar direção ao mercado. A expectativa é de manutenção da taxa Selic em 13,75% ao ano, mas com possibilidade de corte no segundo semestre, dependendo da evolução da inflação e do cenário externo. O mercado de juros futuros deve continuar volátil, com os agentes financeiros atentos aos próximos passos da política monetária e fiscal.



